Ricardinho, como era chamado carinhosamente, de 24 anos, faleceu ontem à tarde. Foi internado em um hospital de Florianópolis, não resistindo aos ferimentos causados por perfurações de três tiros, no tórax e abdômen. Resultado fatal de uma provável discussão com um policial militar (que estava acompanhado de seu irmão) na porta de sua casa, na localidade de Palhoça. Fato ocorrido na segunda-feira, nesse paraíso do litoral catarinense.

O crime em Palhoça

O acusado pelos disparos é um policial, lotado no 8º Batalhão de Joinville, que gozava de férias. Depois dos disparos, foi preso e levado para um quartel em Florianópolis.

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Testemunhas disseram que, por volta das 9 horas, dois homens, encostados em um carro, bem perto de sua casa, foram abordados por Ricardo, que solicitou que eles deixassem de consumir drogas em público. Os dois entraram no carro e atiraram três vezes. As testemunhas são contestadas pela família: um tio (Mauro da Silva) contou que a discussão se deveu ao fato de que o carro estava estacionado sobre um cano usado numa obra realizada na casa. Contou também que não houve discussão, e que o que o policial estava alterado e atirou pelas costas "sem motivo algum". E o que é pior para ele é que o policial fugiu covardemente, deixando a vítima agonizante, sem socorro.

Helicóptero socorreu Ricardinho

Foi solicitada a ajuda de helicóptero para socorrer o surfista. Bombeiros trabalharam no atendimento, presenciando ainda o seu estado de consciência quando levado ao hospital.

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Ainda caído, pediu que anotassem o número da placa do carro do policial.

O autor dos disparos

Luiz Paulo Mota Brentano, o soldado da PM, de 25 anos, autor dos disparos e preso em flagrante, foi ouvido pela Polícia Civil, assistido por advogado, e alegou legítima defesa, em cerca de 20 minutos de depoimento. Como exigiam as circunstâncias, passou também por exames toxicológicos. Deve responder por homicídio qualificado (motivo fútil). Como há duas versões para o acontecido - tiros sem motivo algum verus legítima defesa (ameaça com facão) - há o que investigar. Polícia e Justiça ainda terão muito trabalho a realizar.

Surfista desde os sete anos de idade

Já aos sete anos, aventurava-se no surfe até especializar-se, bem mais tarde, em ondas pesadas e tubulares. Foi vencedor por duas vezes na triagem do Circuito Mundial e Surfe do Taiti, chegando a derrotar o campeão mundial Kelly Slater.

Namorada agradece

Postando uma foto ao lado do surfista, em seu perfil no Instagran, a namorada, a modelo Karoline Esser, agradeceu, antes da morte dele, o apoio que estavam recebendo.

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Morte prematura comove amantes do surfe e de outros esportes

Não só familiares e amigos, mas também pessoas ligadas ao esporte praticado por Ricardo e até de outros esportes se comoveram com a perda da grande promessa do surfe brasileiro. Comoção que atingiu o mundo. No Havaí, na conhecidíssima praia de Pipeline, palco de importantes competições, surfistas homenagearam Ricardo promovendo um círculo no mar. Entre eles, Kelly Slater, campeão mundial por 11 vezes, lamentou a morte do brasileiro por um ato de violência, dizendo que "foi realmente um dos maiores pegadores de tubo em sua curta vida". Também o nosso grande campeão, tenista Gustavo Kuerten, lamentou a morte de Ricardo, denominando-o de "garoto cheio de talento e vida".

Há policiais que usam as armas, que não são suas, como argumento de suas fúteis razões.