A idealização de um projeto que, a partir da preparação da seleção de futebol Sub-20, visava a incentivar a permanência de jovens valores pela CBF, encontra reação. Reação de retirar jogadores consagrados do mercado brasileiro pela China. Da parceria comercial fortíssima que esse país tem com o Brasil, parece iniciar-se uma "parceria" também no futebol. Está começando em levar Diego Tardelli, contratado com um salário de R$ 1 milhão por mês. Em seguida, Ricardo Goulart, com o clube Guangzhou Evergrande pagando R$ 45 milhões pelo seu passe. E agora, estão levando Dario Conca, que receberá R$ 2 milhões mensais de salário.

A grande pergunta é: O que leva os chineses a se preocuparem com a expansão do futebol e a investirem tanto dinheiro? O crescimento econômico provoca a realização de investimentos e a expansão de negócios, uma abertura econômico-financeira, já que o governo, com nova visão política, consente.

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O dinheiro circula e aumenta a possibilidade de realizar coisas, implantar novidades, principalmente aquelas que estão em voga em outros países. O progresso constituído pelos avanços tecnológicos aumenta o conhecimento e favorece as conquistas. Daí a migração de pessoas do campo para as cidades, criando novos hábitos e possibilidades sociais e culturais. Daí o interesse por novas atividades até então desconhecidas ou inacessíveis. Daí o interesse por algo excepcional reinante no mundo, notadamente no ocidente, o amado e fascinante futebol. Como no velho momento da vida do país, "descobriram a pólvora". Não: "descobriram uma nova e instigante pólvora".

A mão de ferro com a qual se administrava a população transformou-se em mão apontando novos caminhos, possibilidades de acesso a bens e divertimento.

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Propriedades como as mostradas a Conca são resultado da necessidade de alojar pessoas que se deslocavam do campo para as cidades em busca de uma nova vida. De estarem perto dos locais que abrigariam ideais e entretenimentos novos, entre eles o futebol.

Voltando ao futebol, os maiores salários pagos a profissionais do futebol no mundo estão na China. Não a todos, mais aos principais. Algum clube pagaria R$ 2, 5 milhões mensais a um técnico de futebol? O Guangzhou Evergrande paga. Conca está voltando para China com o salário pago pelo Shanghai Dongya, ligado a um operador público de terminal portuário de Xangai. O dinheiro aplicado tem destino determinado.

O interessante é que os chineses também aplicam nos grandes centros do futebol mundial. Foi o que aconteceu com relação ao Atlético de Madri, que teve 20% de seu valor adquirido por um conglomerado chinês que lida com o aproveitamento de áreas imobiliárias, o Wanda Group. Aqui no Brasil não se verifica tal prática, a de se deixar introduzir capital estrangeiro na participação dos clubes.

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Aliás, aqui os clubes são sociedades sem fins lucrativos e não propiciam o lucro, o que é legal lá fora. Podemos citar, para ilustrar o que afirmamos: há o caso recente em que aparece o ex-jogador Ronaldo, agora proprietário de um clube de futebol nos Estados Unidos.

Nós somos um mercado que receberá ataques dos chineses. E temos de treinar nossa defesa, com o rigoroso antigo "ferrolho suíço". Suíça? Pergunta: Ainda tem dinheiro nosso lá?