O debate sobre o poker ser um esporte mental ou um jogo de azar pode ser novo no Brasil, mas já está acontecendo há algum tempo nos Estados Unidos, onde, aliás, toda a ação acontece, quando tratamos de poker. Não só por sua origem histórica, mas pelo que tem acontecido nessa área nos últimos anos. Apenas para dar um pano de fundo para o leitor, vou fazer um breve resumo do que tem acontecido. No dia 15 de Abril de 2011, o FBI fechou os principais sites de poker online, sob graves acusações de "fraude bancária, lavagem de dinheiro e jogo ilegal e viciado". A empresa PokerStars, que controla a maior fatia do mercado, ficou apenas algumas semanas fora do ar, enquanto a FullTilt, segunda maior empresa do ramo, chegou a ficar meses, e outras menores deixaram de existir.

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Até o começo de 2015, o poker online é ilegal nos Estados Unidos, e seus cidadãos e residentes estão restritos a partidas sem valor monetário real, ou têm de recorrer à boa e velha Las Vegas, que, desde o surgimento do advento da internet, viu suas contas despencarem drástica e constantemente, até que houve, segundo as revistas americanas especializadas, a intervenção do grupo de empresários de Las Vegas para que ocorressem as investigações que culminaram na chamada "Black Friday" do poker.

A comunidade reagiu de várias formas, desde radicais religiosos querendo erradicar todo e qualquer tipo de aposta, inclusive, destruindo os cassinos existentes nas zonas permitidas pela lei americana, e até mesmo os extremistas liberais, que pregavam a legalização total e descriminalizada de qualquer tipo de jogo.

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Em meio a essa confusão, surgiu a discussão, que parece ser bastante ponderada, à respeito de o poker ser um esporte mental, e não um jogo de azar. Embora para jogar o poker deva-se levar em conta o fator sorte, trata-se de um jogo de chance. Jogos como loteria, bingo e similares, dão a você uma chance que pode ser calculada; no Brasil, a MegaSena, chega a ter chance de menos de 1 para 1000000 (um milhão). Existe uma forma matemática de jogar, que, obviamente, não pode garantir lucro, mas, segundo os profissionais, eles podem, sim, garantir a "lucratividade".

Outro fator importante no debate é acerca do comportamento viciado que algumas pessoas têm diante do jogo, entretanto, está mais do que provado que as pessoas que jogam compulsivamente, tal como um usuário de drogas, não se importa em frenquentar o submundo para obter seus jogos, o que, na prática, significa que não importa o que a Lei determinar, eles vão jogar, de um jeito ou de outro. Caso seja aceito como um esporte mental, à partir do reconhecimento, o governo, ou as autoridades competentes, serão capazes de regulamentar e fiscalizar a realização e a execução desses jogos, e, possivelmente, criar uma comissão para implementar rankings e coisas do tipo.

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Criando mecanismos que garantam a competitividade enquanto esporte, devemos ser capazes de minimizar o impacto dos jogos na vida das pessoas. Agora o recado está dado. Cabe a cada um de nós, eleitores, pressionarmos nossos representantes para que ajam de acordo com nossas expectativas.

Foto (marcada para reutilizacao pelo Google): Steve Billirakis, o mais jovem vencedor de um bracelete no WSOP (World Series of Poker).

#Inovação #Legislação