O laudo emitido nesta quinta-feira (22/1) indicou que Luís Paulo Mota Brentano, o policial militar que disparou 2 tiros contra o surfista catarinense Ricardo dos Santos, em Palhoça - SC, tinha ingerido bebida alcoólica antes dos disparos. Contudo, outras substâncias ilícitas não foram encontradas, segundo o IGP (Instituto Geral de Perícias) de Santa Catarina.

O exame para verificar a presença de substâncias que pudessem alterar os sentidos de Luís Mota foi realizado seis horas após a discussão entre o policial e o surfista. O ocorrido foi na praia Guarda do Embaú. Segundo o laudo, na hora dos exames o policial tinha 13 decigramas de álcool por litro de sangue.

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O responsável pelo IGP de Santa Catarina afirmou que esta quantia é considerada alta e suficiente para alterar os sentidos. Contudo, cada organismo reage de uma forma diferente às substâncias. O fato é que na hora da discussão, o nível de álcool no sangue do policial poderia estar mais alto do que o medido 6 horas depois do crime. Alguns dados ainda não foram confirmados, como o horário em que Brentano consumiu álcool, pois o laudo não teve como emitir essa informação. O laudo confirmou que não houve uso de drogas por Brentano, apenas álcool.

Na versão do policial houve ameaça de Ricardo dos Santos com um facão. Quando o policial passou em frente à casa do surfista e parou com o carro sobre um encanamento que estava em construção, o surfista o ameaçou, iniciando toda a discussão e posteriormente o ocorrido.

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O inquérito tem dez dias para ser concluído e todas as versões do caso serão averiguadas e confrontadas.

Segundo o advogado do policial militar, Luís Paulo Mota Brentano, o indiciado sentiu-se coagido e usou da arma de fogo para assustar a vítima, não realizando os disparos com intuito de matar.

Dois disparos foram efetuados e não três, como foi dito pela polícia, segundo o laudo realizado pelo IGP. Um pelas costas do surfista e o outro que acertou o lado esquerdo do corpo, passando pelo baço e saindo pelo lado direito. Este último disparo foi considerado o tiro responsável pela morte de Ricardo dos Santos.

A morte do surfista ocorreu as 13h10 do dia 20 de janeiro, numa terça-feira. Ele foi levado ao Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis, passando por quatro cirurgias, contudo, não foram suficientes para conter a hemorragia e foi a óbito.