Mais uma vez, o racismo volta a aparecer no #Futebol. O alvo da vez é o atacante marfinense Gervinho, do Roma, que viu nesta quinta-feira (25) uma banana inflável ser atirada aos seus pés quando cobrava um arremesso lateral na vitória da Roma por 2x1 sobre o Feyenoord, na Holanda, no jogo de volta da segunda fase da Liga Europa. Curiosamente, o árbitro francês Clement Turpin não interrompeu a partida no momento da injúria, mas há Uefa poderá punir o clube holandês. Ao menos é o que se espera.

Convém voltar um ano no tempo. Em mais um daqueles que deveriam ser um domingo normal de futebol na Espanha, torcedores do Villareal protagonizaram uma cena vergonhosa no estádio "El Madrigal", ao jogarem uma banana para o lateral direito brasileiro Daniel Alves.

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Eles tomaram um contra-golpe inesperado. O jogador pegou a fruta, descascou-a e comeu. De humilhado a humilhante, Alves declarou após o jogo o que ninguém gostaria de escutar: 'Tem que ser assim. Há onze anos convivo com a mesma coisa aqui na Espanha. Temos que rir desses retardados'. A Federação Espanhola multou em 12 mil euros o clube, que baniu o torcedor de ir aos jogos.

Ao mesmo passo que os casos de racismo no futebol se sucedem, a impunidade também. Episódios como aquele em que o meia Tinga, do Cruzeiro, ouviu gritos de macaco por parte de torcedores bolivianos do Real Garcilaso seguem sem ter respostas precisas. As federações limitam-se a multar os clubes em cifras facilmente quitáveis, deixando claro a todos o medo que têm em enfrentar de forma rígida o grave problema do preconceito.

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Alguns, com justiça, deverão se lembrar da exclusão do Grêmio da Copa do Brasil de 2014 depois de parte de sua torcida ter imitado macacos quando o goleiro Aranha, do Santos, estava com a bola. De fato, seria um grande acerto do STJD não fosse a facilidade em tomar essa decisão quando o réu já estava praticamente fora da disputa pela lei do campo, ao perder a primeira partida, em casa, por 2x0. O tribunal faria o mesmo se o Grêmio tivesse vencido pelo mesmo placar? O mesmo não foi feito com o Mogi Mirim, que seguiu no Campeonato Paulista mesmo quando sua torcida injuriou o volante Arouca, hoje no Palmeiras, na época no Santos.

Enquanto a impunidade existir, o racismo terá livre trânsito no futebol, invadindo arquibancadas e respingando no campo. Punir individualmente está mais do que provado que não basta. Quando o clube sofrer severas sanções, ao ser banido de uma competição ou sumariamente rebaixado de outra, até o mais preconceituoso do seu torcedor irá pensar duas vezes antes de cometer tais atrocidades.

Identificados os torcedores ou não, seja na Europa, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, são os clubes que devem sofrer as penalidades por parte de suas confederações, variando de acordo com a gravidade do fato. Sim, é o caso onde os bons devem pagar pelos ruins. Do contrário, o racismo, sob o escudo de que 'casos isolados sempre ocorrem', de fato, sempre vai ocorrer.