Um jogo que entra na galeria de “jogos da Euro que são melhores que a Champions”, Celtic x Inter foi um enfrentamento entre duas equipes tecnicamente limitadas em um estádio grande, lotado e com uma torcida animada, barulhenta e constantemente em festa, tão diferente da apática torcida de PSG x Chelsea dois dias antes, a qual teve a coragem de apenas aplaudir após o gol de Cavani.

Antes de o jogo começar o show da torcida do leste de Glasgow foi completo, com direito a You’ll Never Walk Alone e homenagem aos ídolos da final da Champions League de 1967. Os fãs não pararam de cantar nem quando o inconstante goleiro Gordon levou um gol entre as pernas, o segundo da Inter em menos de 15 minutos.

Publicidade
Publicidade

O jogo que parecia decidido e fadado a uma goleada histórica sobre o time escocês, se transformou em uma partida emocionante. Em dois minutos o Celtic fez dois gols e empatou o placar, para delírio dos torcedores da metade verde do clássico Old Firm. O jogo, fraco tecnicamente, empolgou por trazer um elemento a mais; há tempos as competições europeias têm esbanjado técnica e decepcionado nas arquibancadas. Esse jogo foi o oposto, a cada erro dos jogadores e a cada chance criada, os torcedores explodiam, gritavam, cantavam, giravam seus cachecóis e abraçavam seu companheiro de estádio. Era como se ninguém houvesse avisado os escoceses que os tempos agora são do “#Futebol moderno”, das torcidas comportadas e que seu Celtic jamais poderia almejar ser um desafio ao mais rico Inter.

Nenhuma das duas equipes mostrou superioridade tática ou técnica, ambas erraram muito e, por isso, criaram a emoção que catalisou a atmosfera do estádio.

Publicidade

Sem os erros de marcação, talvez o jogo fosse muito pior e muito mais chato. No fundo, ambos os times queriam atacar, mas apesar de táticas ofensivas, ambos os times vieram muito compactados para o jogo. Após os dois primeiros gols da Inter, a cautela foi pela janela e o Celtic achou os espaços nas avenidas laterais cobertas apenas por Santon e Campagnaro e negligenciadas por Medel e Kuzmanovic, que deveriam ajudar na marcação.

Depois do primeiro tempo o placar apontava 3 a 2 para o time de Milão, após nova falha do goleiro Gordon, ao sair do gol em uma bola morta e entregá-la nos pés de Palacio que só teve o trabalho de empurrar para as redes. Os torcedores do Inter comemoraram e os do Celtic não se calaram.

O jogo continuou quente na segunda etapa. Apesar das chances para os dois lados, ninguém parecia conseguir mudar o placar que daria à Inter uma vantagem mais do que confortável para o segundo jogo em Milão, até que, nos acréscimos, o sueco John Guidetti mandou para as redes depois de um passe magistral de John Henderson, sacramentando o empate e levando à loucura os torcedores no Celtic Park; o estádio veio abaixo, reação tão diferente àquela do gol de Cavani que deu o empate ao PSG dois dias antes.

Publicidade

Ouso dizer que esse jogo foi um manifesto contra o futebol moderno dentro e fora de campo. Por um lado, a torcida brandiu bandeiras, cachecóis, camisas, ou o que estivesse à mão para apoiar seu time. Cantou quando estava perdendo, cantou após o frango magistral de seu goleiro, cantou sempre, o jogo todo. Por outro, dentro de campo, vimos dois times que não foram perfeitos, mas buscaram o gol sem se fechar. A Inter não se fechou após o gol, longe disso e acabou pagando o preço. Verdade seja dita, é menos eficaz, mas como é chato ver Mourinho estacionar um ônibus em frente a seu gol toda vez que faz 1x0!  #Europa