Quando o austríaco Andreas Haider-Maurer (74 do mundo) se agachou em quadra, ofegante, para logo após pedir atendimento médico, no momento em que o brasileiro João Souza, o Feijão, vencia por 2/1, e tinha o saque no terceiro set, a torcida brasileira presente no Jockey Club, Rio, já vislumbrava um grande embate na semi-final entre o seu mais novo xodó e o espanhol David Ferrer, ex-número 3 do mundo, que mais cedo derrotara em três sets o argentino Juan Monaco.

No entanto, o tênis, mais uma vez, mudou a direção de um jogo que parecia com um destino definido. No primeiro set, poucas ameaças aos saques. Com ambos os tenistas firmes do fundo de quadra, o jogo foi para o tiebreak.

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Nele, valeu o sangue frio do tenista europeu, que fechou a parcial, após um erro não-forçado de Feijão: 7/6 Haider-Maurer.

Demonstrando sinais de cansaço, o austríaco foi presa fácil no segundo set. Irritado, jogou a raquete no chão após ter seu saque quebrado no segundo game. Empolgando a torcida com ótimos golpes de direita e belas deixadinhas, Souza venceu sem nenhuma dificuldade a segunda parcial de um oponente que parecia entregue. Game e set, Feijão, 6x1.

Embalado pela torcida, a quem muitas vezes gesticulava para que se levantasse, o tenista do Brasil seguia sólido da linha de base. Dessa forma, conseguiu uma importante quebra no início do terceiro e decisivo set. Alguns poderão dizer que este não era "o dia" do brasileiro ou que ele deveria ter insistido mais nesse ou naquele golpe.

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O fato é que sem alterar o seu plano sólido de jogo, Feijão viu Haider-Maurer renascer, devolver a quebra e pressioná-lo ao virar para 5/4. Na obrigação de confirmar o saque e se manter vivo no torneio, Souza sentiu. Com 30/15 no game, fez uma dupla falta e no primeiro match point do rival, não conseguiu passar da rede. Vitória de Maurer: 7/6 1/6 6/4.

Com a derrota, João Souza deixa escapar também a possibilidade de ser o tenista número 1 do Brasil, já que passaria no ranking da ATP Thomaz Bellucci - que no Rio Open desse ano defendia os pontos de quartas de final, mas acabou eliminado na primeira rodada por Rafael Nadal.

Dia ruim para o Brasil

Mais cedo, na chave feminina, a ex-pupila de Larri Passos, Bia Haddad, desafiava a ex-vice-campeã de Roland Garros, a italiana Sara Errani. Disparando potentes golpes de forehand e balançando a rival por toda a quadra, Bia fechou o primeiro set em 6/2. Errani, que assim como Haider-Maurer também parecia vencida, saiu literalmente do buraco ao salvar três match-points da brasileira e vencer a segunda parcial no tiebreak.

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Com dores na coxa, Bia não conseguiu terminar a partida e desistiu no meio do terceiro set. Haddad também tinha compromisso pela chave feminina de duplas ao lado da compatriota Teliana Pereira, mas abriu mão da disputa.

A última esperança brasileira estava na dupla formada pelo mineiro Bruno Soares e o austríaco Alexander Peya, que, apesar do favoritismo, perderam a semi-final para Andujar/Marach. Irritado, Soares criticou a marca da bola utilizada no torneio: "é um lixo".

O Rio Open 2015 entra em sua fase decisiva neste final de semana. Infelizmente, sem brasileiros.