Quando, em outubro de 2009, a cidade do Rio de Janeiro foi anunciada como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, superando as candidaturas de Madrid, Tóquio e Chicago, os idealizadores dessa candidatura sabiam que a tarefa não seria fácil. Dos investimentos propostos, talvez não houvesse dúvidas que um dos grandes desafios era a despoluição da Baía de Guanabara, para a realização das competições de vela. Praticamente cinco anos e meio depois do anúncio e a 497 dias do início dos jogos, já se sabe que essa meta não será cumprida.

A Baía de Guanabara é um dos principais cartões-postais da cidade carioca. A sua beleza natural atrai imensos turistas durante o ano inteiro.

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Mas nos últimos tempos foi submetida a uma intensa degradação ambiental, agravada pelo vazamento de óleo no município vizinho de Duque de Caxias, após acidente de uma refinaria da Petrobras, em janeiro de 2000. As suas águas sofrem igualmente com o lançamento indiscriminado de esgotos sanitários e de todo o tipo de lixo, desde garrafas plásticas, roupas e calçados, até sofás e máquinas de lavar.

Assim, entre as muitas propostas de melhoria em diferentes pontos da cidade, a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016 implicava o compromisso de se fazer o tratamento de 80% das águas da Baía de Guanabara. Este seria um dos grandes legados que o evento deixaria para os cariocas, mas pela última intervenção do Governador Luiz Fernando Pezão sobre o assunto, só em 2018 será possível cumprir tal promessa.

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No ano passado, em relatório emitido pelo Secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, a limpeza da baía levaria mais de uma década.

Neste momento, o índice de despoluição está em 49% e o Governador prevê ainda investimentos de R$ 500 milhões para tratamento do esgoto dessa baía. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, confessa que se perdeu uma grande oportunidade. Alguns atletas manifestaram a sua indignação pelo não cumprimento do acordo. A brasileira Martine Grael, campeã mundial de iatismo, lamentou a falta de planejamento das autoridades. O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, já é mais otimista. Segundo ele, a poluição da Baía de Guanabara não impedirá o sucesso da Olimpíada. #Rio2016