Em entrevista exclusiva, Pardal fala da evolução de Feijão, da sua época como jogador e capitão e projeta confronto contra a Argentina. Leia abaixo alguns trechos:

Eduardo Schiefelbein: O time brasileiro que enfrenta a Argentina vive dois paralelos: a ascensão de Feijão e a irregularidade de Bellucci. De que forma você avalia o momento da equipe?

Ricardo Acioly: Olha, eu vejo a equipe brasileira extremamente competitiva. Acho que faltava esse "segundo" jogador, como o Feijão surge agora. Por isso temos melhores perspectivas. O Feijão é um jogador que está buscando o seu espaço e tem o perfil de um jogador de tênis.

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E o Bellucci nós conhecemos, sabemos a qualidade que tem e que pode vencer qualquer jogador do mundo. Mas, assim, o momento é de um time competitivo, que pode dar um passo a frente.

ES: Apesar das dificuldades no circuito da ATP, o Bellucci tem bom retrospecto em Copa Davis. Você atribui a isso, também, à presença de um treinador na beira da quadra?

RA: Eu joguei Davis três anos como jogador e depois mais seis como capitão. Se o capitão tiver capacidade, dominar o ambiente e o jogador estiver com a guarda aberta para absorver qualquer tipo de instrução, ele pode auxiliar muito. Claro, tem diferentes perfis de atleta. Tem os que gostam de discutir tática, outros preferem apenas o incentivo. Mas em Davis é o capitão que se molda aos jogadores. No caso do Thomaz, vejo que isso é muito benéfico.

ES: Para uma Argentina que, recentemente, teve Guillermo Coria, David Nalbandian e Juan Martin Del Potro (este ainda lesionado), um time que hoje vai com Leo Mayer, Schwartzmann, Berlocq e Delbonis assusta menos?

RA: Eu acho que o termo não é "assustar". Agora, claro, hoje você olha e pensa "beleza, vamos para o pau". É diferente de quando você olha para o outro lado e tem aqueles tenistas que você nunca venceu, aí realmente complica. O Feijão acabou de vencer do Mayer em São Paulo e o Bellucci certamente já deve ter vencido esses jogadores. Mas tem a questão da pressão, jogar fora de casa e em condições que eles gostam mais.

ES: No futebol há uma imensa rivalidade entre Brasil e Argentina. Isso poderá ser levado ao tênis?

RA: Os jogadores se conhecem, estão juntos no circuito, ninguém vai se xingar ou se cuspir. Na questão da torcida, haverá uma pressão extra e é necessário lidar com isso. Mas é totalmente diferente da minha época de jogador, quando até moeda jogavam na gente e não acontecia nada. Hoje há regras claras e um árbitro experiente no comando de tudo.

ES: No seu comando, o Brasil, que tinha o Guga, chegou até às semi-finais. Você vê alguma possibilidade do time atual do João Zwetsch se não igualar, ao menos chegar perto?

RA: Um time em Copa Davis vai ganhando personalidade durante a competição. Cabe ao capitão extrair o melhor de cada um. O esforço individual de cada um tem que ser em prol da equipe. O cara que vai estar ali só para devolver os saques durante um treino também é muito importante. Assim se forma uma equipe. E hoje vejo uma equipe mais homogênea. Tínhamos o Guga, é verdade, mas eu também tinha o Meligeni, o Jaime Oncins, Andre Sá, Flávio Saretta, Alexandre Simoni, entre outros, que também tiveram um papel fundamental. E, assim, Copa Davis tem outro componente decisivo que são os detalhes. Lembra daquela quartas-de-final contra a Austrália em Florianópolis, em 2001, com 12 mil pessoas? Naquele duelo, jogamos seis tiebreaks e perdemos cinco. Uma bola fora aqui ou outra na linha ali a gente tinha vencido eles. #Entretenimento