Quando a partida entre o argentino Carlos Berlocq e João "Feijão" Souza iniciar às 11h desta sexta-feira (6), no Parque Tecnópolis em Buenos Aires, o ex-capitão do time brasileiro, Ricardo Acioly, o Pardal, espera que a sua receita à equipe comece a ser imposta: "tem que ir pro pau, amigo". O duelo abre o confronto entre os dois países pela primeira rodada do grupo mundial da Copa Davis de Tênis de 2015.

Ex-tenista profissional e treinador há mais de dez anos de Feijão, Pardal quer um time brasileiro enfrentando os argentinos de igual para igual. Entende que é possível, pois vê a equipe de João Zwetsch em novo momento e pronta para crescer ainda mais. "Vejo o Brasil extremamente competitivo. Faltava esse 'segundo' jogador, como o Feijão surge agora e assim temos melhores perspectivas. Sobre o Bellucci, sabemos a qualidade que tem e que pode vencer qualquer jogador do mundo. O momento é de um time competitivo, que pode dar um passo a frente", destaca.

Capitão do time brasileiro na Davis entre 1998 e 2003, tendo como melhor resultado uma semi-final contra a Austrália em 2000, Pardal fala com orgulho do seu pupilo, que terá a missão de dar o primeiro ponto ao Brasil neste embate contra a Argentina. "O Feijão é um jogador que está buscando o seu espaço e tem o perfil de um jogador de tênis. É bom de grupo, bom de se trabalhar, sabe alegrar o ambiente", conta.

Ainda na sexta-feira (9), fechando a rodada, o brasileiro Thomaz Bellucci encara Leo Mayer. No sábado, a dupla formada por Bruno Soares e Marcelo Melo desafia Frederico Delbonis e Diego Schwartzman. No domingo, último dia do confronto, as partidas de simples da sexta-feira se alternam.

Currículo no mundo do tênis é o que não lhe falta. Além de ter sido líder de uma equipe que protagonizou confrontos épicos na Copa Davis (ele fala sobre um deles na entrevista, na sequência do artigo), Pardal foi treinador de Fernando Meligeni, com quem escalou o ranking mundial até o top-25 e atingiu semi-final de Roland Garros em 1999. Agora como torcedor, Acioly mantém a confiança, mas, sem tirar os pés do chão, reitera a dificuldade do confronto, vê boas possibilidades para o Brasil e diminui a influência da torcida adversária, ao brincar com o seu tempo de jogador.

"Haverá uma pressão extra, mas é preciso saber lidar com isso porque Copa Davis é assim. Hoje em dia há regras claras e um árbitro de cadeira sempre experiente, diferente do meu tempo de jogador quando até moeda jogavam na gente e não acontecia nada. Em quadra, haverá um equilíbrio muito grande, tanto o Brasil pode ir lá e fazer os cinco pontos, como pode perder todos eles. Mas temos totais condições de vencer".

Brasil e Argentina, que não se enfrentam desde 1980, se cruzaram somente sete vezes na longa história da Copa Davis - única competição de tênis disputada entre países na categoria masculina. O retrospecto não é favorável aos brasileiros, que perderam cinco das sete disputas com os tradicionais rivais. Quem passar do atual confronto enfrentará Sérvia ou Croácia nas quartas-de-final. O perdedor disputará a repescagem para tentar manter-se no grupo mundial. #Entretenimento