A vitória começou a ser construída no túnel. Segundos antes de entrar em campo, D´Alessandro, de olhos arregalados, cerrava os punhos e urrava para os companheiros. Queria ver o time atropelar. Vencer a Universidad do Chile representaria mais do que um grande passo à classificação na Libertadores. Vencer significaria tirar um peso das costas de cada jogador e sobretudo de Diego Aguirre, o maior alvo de críticas que clamavam por uma grande atuação de um time que, até então, de grande tinha apenas os resultados. D´Alessandro sabia de tudo isso. E por isso gritava. Seus gritos serviram como combustível para acelerar uma blitz que sufocou os chilenos do primeiro ao último minuto de jogo.

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Nilmar, jogando como Nilmar, resolveu. Estava de volta ao comando de ataque colorado o jogador top em uma atuação de gala favorecida pelo sistema de marcação imposto por Aguirre. Marcação pressão, adiantada, asfixiante, que se avançava por todo campo. Juan roubava. Dourado amaciava. D´Alessandro armava. E Nilmar decidia. Fruto do amplo domínio territorial que empurrou os chilenos para trás como se estivessem rendidos, Nilmar valeu-se de um erro clamoroso de Johnny Herrera para empurrar a bola rumo ao gol vazio logo aos 9 min.

Quatro minutos depois, o banho de intensidade atordoava de vez os mandantes. Passaram-se imperceptíveis dez segundos desde a roubada perfeita de Juan a um atacante oponente até a bola morrer nas redes de Herrera. Nesse ínterim, D´Alessandro, como em todo o duelo, agiu feito um maestro.

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Esperou Jorge Henrique posicionar-se à esquerda, Sasha infiltrar pelo meio, para, aí sim, enfiar à direita a Nilmar. Dessa vez como garçom, o dono da noite limitou-se a rolar para Sasha deslocar o goleiro. Aos 13 minutos, o Inter perfilava sua artilharia. D´Alessandro era o arco, Jorge, Sasha e Nilmar eram as flechas.

Como um mero espectador, Alisson, embaixo das traves em uma noite de folga, pode ver em posição privilegiada uma La U atônita, em apuros, buscando sabe-se lá onde explicações para o que se via. Melhor ainda: pode ver Nilmar fazer fila de marcadores em disparada pelo flanco direito até penetrar na área e tocar de bico esquerdo para o fundo das redes. O terceiro gol era uma pintura. Um lindo lance individual avalizado por um perfeito jogo coletivo. O Inter chegava aos 3x0 com 40 minutos e dissipava um sofrimento esperado por muitos colorados antes do embate.

No segundo tempo, com Valdivia no lugar de Jorge Henrique, o Inter diminuiu naturalmente o ritmo, o que não significou perder o controle da partida.

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Em jornada infeliz, e mais infeliz ainda pela postura dos brasileiros, a zaga chilena deu bobeira ao permitir liberdade a Nilmar que só foi parado com falta dentro da área. Pênalti que D´Alessandro errou, e que depois o motivou a sair bravo de campo. Minutos após, Valdivia deu números finais ao confronto não sem antes driblar com rara facilidade o perdido marcador. 0 4x0 consolidava-se sem rumores de dúvida e premiava um time montado por Diego Aguirre, que se deu ao luxo de não utilizar no Chile nenhum dos jogadores contratados para a temporada. Pode até sumir com o vento, mas Aguirre deixou um sopro de esperança aos colorados na fria noite de Santiago. #Futebol #Resenha Esportiva