Com Careca no comando, o Guarani da cidade de Campinas, Estado de São Paulo, foi Campeão Brasileiro em 1978. Até então apenas o Santos de Pelé, fora o único time fora das capitais de estado a ser Campeão Brasileiro. O Guarani era um time jovem, vibrante, com Zenon, Careca e Renato, que se destacariam internacionalmente e um técnico inovador, Carlos Alberto Silva, que depois viria a ser treinador do Brasil.

Localizado em Campinas, uma cidade tradicional do interior do estado de São Paulo, antigo centro de produção de café, o Guarani rivaliza na cidade com a Ponte Preta, segunda equipe mais antiga do Brasil. A Ponte Preta foi fundada em 11/8/1900, apenas 23 dias depois da fundação do Esporte Clube do Rio Grande no estado do Rio Grande do Sul, que aconteceu em 19/7/1900.

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O Guarani quebrou a corrente de grandes clubes brasileiros, como Internacional, Flamengo, Cruzeiro, Santos e São Paulo, que monopolizavam a conquista de Campeonatos Nacionais e durante muitos anos constituiu-se em uma das grandes forças do #Futebol brasileiro e do campeonato paulista.

A dificuldade de agregar mais torcedores, onde Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo praticamente absorviam todos os simpatizantes possíveis, dentro e fora do estado de São Paulo, o Guarani cresceu como equipe, mas continuou com a torcida pequena, concentrada apenas na sua cidade. O ônus de manter um status de grande clube e o retorno financeiro insuficiente, foram minando o clube deixando-o cada vez mais vulnerável. A isto se seguiu uma gradativa queda técnica de suas equipes, primeiro em âmbito nacional e depois nas competições estaduais, sendo sucessivamente rebaixado a séries inferiores dos campeonatos que disputava.

Hoje, no Brasil, as medidas de restrição ao crédito, corte de gastos do governo federal, governos estaduais e governos municipais, acompanhadas por cortes nas empresas privadas, criaram uma perspectiva de medo, forçando a priorização pelos torcedores de gastos em produtos e serviços essenciais, deixando as tesourarias dos clubes sem alternativas para arrecadar o mínimo suficiente para sustentá-los.

Clubes com grandes torcidas e um grande quadro de sócios acima de 100.00 associados como o Internacional de Porto Alegre, recebem além de tudo, cotas maiores das emissoras que transmitem seus jogos.

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Também puderam se valer de um saneamento de dívidas fiscais. O recente parcelamento a longo prazo das dívidas fiscais, proposta pelo governo brasileiro para facilitar a recuperação financeira dos clubes só é viável para quem tem arrecadação garantida, o que praticamente alija clubes quase falidos do benefício.

O que ocorreu com o Guarani de Campinas é um alerta, quase um vaticínio sobre o futuro de pequenos clubes do Brasil inteiro, onde tradição, torcida, conquistas se renderão à força do martelo e o arrematador irá transformar insensivelmente um campo de glórias e emoções do passado em um belo gramado de um condomínio residencial qualquer com piscina, portaria e salão de festas. #Crise