Podem passar os anos, mas os brasileiros nunca deixarão de chorar a trágica morte de Ayrton Senna no primeiro dia de maio. Em um Brasil que envergonhava o seu povo, que perdia em campo e nas urnas, que roubava em Brasília e nas ruas, que congelava a economia e mandava a inflação às favas, o jovem simpático, determinado e patriota, ilustrado na figura de Senna, representava a esperança de uma nação em busca de um futuro mais digno e de pessoas melhores.

Neste primeiro de maio de 2015, os 21 anos da morte de Ayrton Senna coincidem com o período de lançamento do relato autobiográfico de Galvão Bueno - certamente a maior testemunha viva das vitórias do brasileiro nas pistas mundo afora, que renderam um tricampeonato mundial de F1 antes da fatídica curva de Tamburelo, em Imola, levar junto o coração de milhares de brasileiros.

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Das 310 páginas recheadas de lembranças, emoções e histórias de Fala, Galvão!, 27 delas são dedicadas exclusivamente, em capítulo próprio, à grande amizade na qual o locutor tanta se orgulha, iniciada em 1982, quando, ainda menino, um desconhecido piloto juvenil chamado Ayrton o abordava e cravava: "Eu vou chegar a Fórmula 1 e o senhor ainda vai transmitir muita corrida minha".

Dito e feito. Nas pistas, Ayrton Senna guiava com o orgulho a felicidade de um país. Nos microfones, Galvão Bueno contava com muita emoção a esse mesmo povo cada passo dado pelo novo heroi nacional. No meio disso tudo, uma amizade divertidíssima. Aspas para Galvão: "Certa vez estávamos em um hotel e antes de irmos jantar Ayrton bateu na porta do meu quarto. Quando abri, ele jogou um balde de água em mim. Todo molhado, só pensava em dar o troco naquele desgraçado.

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Iria pagar na mesma moeda. Como sabia que ele não abriria para mim, pedi a Reginaldo Leme que fosse lá e batesse. Só que uma namoradinha nova dele estava no quarto e foi ela que abriu. Errei o alvo", diverte-se o narrador.

Senna era reservado. Por mais brincalhão que fosse, não costumava demonstrar sentimentos. Galvão conta que demorou muito tempo até que ele pronunciasse a palavra "amigo". Mas o diálogo dos dois antes de cada corrida fala por si só:

"Vai pela sombra, Galvão".

"E você não faça bobagem na pista".

"E você não fale muita besteira na #Televisão".

"Combinado. Te vejo no pódio".

A voz de Galvão Bueno ainda ecoa dos estúdios de transmissão do circuito de Imola. "Senna bateu forte. Senna escapou e bateu muito forte", exclamou, à época. Ao descer da cabine e se aproximar de Gehard Berguer, outro piloto amigo de Senna, o locutor teve a confirmação da morte do ídolo. Naquele momento, Galvão sabia que Ayrton deixava as pistas para entrar na história. Para sempre, Ayrton Senna. O Ayrton Senna do Brasil. #Entretenimento #Automobilismo