Demorou 65 anos para que um novo treinador estrangeiro triunfasse pelo Inter. Com a vitória por 2x1 no Grenal 406 neste domingo e o consequente pentacampeonato gaúcho, o uruguaio Diego Aguirre repete o feito do argentino Alfredo González, campeão estadual em 1950. Antes dele, o uruguaio Ricardo Diéz, em 1942, e o argentino Carlos Volante, em 1947 e 1948, também venceram o Gauchão.

Depois de uma curta passagem do eterno ídolo Elias Figueroa pelo comando técnico do clube em 1996, o Inter só voltou a depositar suas fichas em um treinador de fora do país em 2010, quando apostou no uruguaio Jorge Fossati. Naquele ano, o Grêmio levou a melhor e venceu o campeonato estadual - por sinal, sua última conquista.

Publicidade
Publicidade

Embora tenha sido demitido no início do brasileiro sem nenhuma taça erguida no Beira-Rio, Fossati carrega até hoje o mérito de ter levado a equipe à semifinal da Libertadores, que viria a ser conquistada, mas já com Celso Roth na casamata.

Em 2015, mesmo depois do presidente Vitório Píffero ter descartado em um primeiro momento a vinda de um técnico de fora, Diego Aguirre assumiu o posto de treinador do Inter e, apostando em um método inovador de trabalho no Brasil, onde todos os jogadores participam de um revezamento constante, foi conquistando a confiança do grupo e da torcida, que o reverenciou após o título deste domingo. E, segundo ele, o jeito tranquilo não vai mudar.

"Bom, já tenho quase 50 anos, é difícil mudar. Sou assim. Posso ser campeão da Libertadores, do Mundo, enfim, mas vou seguir sendo a mesma pessoa, com o mesmo jeito de ser.

Publicidade

Fico feliz porque sempre senti o apoio da torcida. Mesmo nos momentos difíceis no início da temporada os torcedores vinham na rua e diziam estar fechados comigo", disse Aguirre, feliz, na entrevista coletiva após o jogo.

Dos sete jogadores contratados para a temporada, apenas dois foram levados para o jogo por Aguirre. Lisandro Lopez entrou no segundo tempo, Nico Freitas sequer entrou. Os demais ficaram de fora. Frutos de um revezamento frequente no time titular, jovens jogadores como os laterais William e Geferson, o volante Rodrigo Dourado e o meia Valdívia ganharam oportunidade do treinador, mostraram resultado e não saíram mais do time.

"Esse grupo comprou a nossa ideia, a nossa metodologia de trabalho. Antes do jogo, ali no vestiário, os meus trinta jogadores estavam na última roda fazendo a oração antes do jogo. Todos. Quem ia jogar e quem ficou de fora. Estão todos empenhados e prontos para ajudar quando for necessário. Os meninos deram ótimo resultado, jogaram bem e comigo quem jogar bem fica", destacou o uruguaio.

Publicidade

Com a faixa de campeão gaúcho de 2015 no peito e com um tabu que já durava 65 anos quebrado, Diego Aguirre começa já nessa segunda-feira a pensar na Libertadores. Na quarta-feira, o Inter enfrenta o Atlético-MG em partida de ida pelas oitavas de final da competição. Em 2010, o conterrâneo de Aguirre, Jorge Fossati, foi até a semi-final. Está lançado um novo desafio para o charrua colorado. #Futebol #Resenha Esportiva #Sport Club Internacional