Ao derrotar Rafael Nadal na semifinal do US Open de 2009, o argentino Juan Martin Del Potro chamava para si os holofotes do mundo inteiro prestes a desafiar o então pentacampeão Roger Federer na decisão. O sangue latino teria de estar frio. Enfrentaria Federer no quintal de sua casa. Como um visitante indigesto, à vontade em um território que não o pertencia, Delpo, no alto dos seus 20 anos, desbancou o poderoso rival e garantiu o que poderia muito bem ter sido o primeiro de muitos títulos de Grand Slams.

Mas foi o único. Os mesmos punhos que se mostraram resistentes o bastante para erguer o trofeu do Aberto dos Estados Unidos viraram alvo de dores, medos e incertezas.

Publicidade
Publicidade

Em 2010, a primeira cirurgia. O que era para ser uma simples correção no pulso direito transformou-se em longos oito meses de espera. De lá para cá, entre idas e vindas, retornos e fracassos, um 4° lugar no ranking da ATP e uma medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres em 2012, foram mais duas operações no pulso esquerdo. Emocionado, Delpo anunciou, nesta segunda-feira (15), que passará pela terceira.

“Não foram semanas e meses simples, foram dias tristes e negros por causa de minha séria lesão no pulso. Luto, mental e psicologicamente, para jamais me render e buscar soluções que possam estar ao alcance. Meu sonho é poder retornar às quadras de #Tênis algum dia em minha vida e como não encontro alternativas para solucionar minha tendinite no tendão, meu médico me aconselha a fazer uma nova cirurgia”, comunicou o tenista, visivelmente abatido, em vídeo postado nesta segunda.

Publicidade

O novo procedimento será realizado já nesta quinta-feira (18), nos Estados Unidos.

Na atual temporada, o recente vazio que acompanha a carreira de Delpo está ilustrado em números. Foram apenas quatro partidas disputadas. Duas delas com vitória, em janeiro, no ATP 250 de Sydney, na Austrália. Naquele momento, o argentino voltava a sentir dores no punho esquerdo, que o obrigaram a passar pela segunda cirurgia no local. Em março, ele tentou ensaiar um retorno e chegou a jogar a primeira rodada do Masters 1000 de Miami, em derrota para o canadense Vasek Pospisil. Depois, mais um longo período afastado.

“Desde que comecei a sentir esse problema, esta foi a primeira vez que fiquei sem treinar e fazer exercícios físicos. Não se trata apenas de uma tendinite, mas, sim, de um tendão danificado. Vários médicos recomendaram uma nova operação e tomei esta decisão, que espero que possa sanar de vez o problema. Não foi e não será fácil, pois é a terceira no mesmo lugar”, acrescentou o jogador.

Publicidade

Em vias de retornar às quadras próximo do confronto entre Argentina e Brasil pela Copa Davis, disputado em março de 2015 e vencido pelos hermanos, Delpo aumentou as esperanças de triunfo dos brasileiros quando anunciou que não participaria. Leo Mayer, companheiro de seleção argentina, assim resumiu: “É como jogar sem Messi em seu time. É o nosso melhor jogador”.

Detentor de 18 títulos na carreira, o tenista de 26 anos amarga, atualmente o 578° lugar do mundo. Mais do que isso: amarga a incerteza de um retorno. O tempo de recuperação da nova cirurgia não foi informado, mas, para o bem do tênis, que seja breve. #Entretenimento