Menos de um ano depois de levar 7x1 na semifinal da Copa do Mundo em casa para a Alemanha, o Brasil retorna às competições oficiais para a disputa de uma Copa América em que resgatar a honra, perdida em meio ao turbilhão de gols dos alemães, é naturalmente a maior das prioridades. Na segunda versão de Dunga, mais moderado em relação a si próprio, o time estreia domingo (14), contra o Peru, de Paolo Guerrero.

A faxina foi feita e começou por cima. Do comando técnico, despediram-se Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira. Gilmar Rinaldi, ex-goleiro e empresário, virou o diretor técnico. De imediato, contratou Dunga para o cargo de treinador.

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Taffarel, de passado vitorioso na seleção, também integra a comissão técnica como preparador de goleiros.

Dunga, aliás, tratou de desconversar sobre a necessidade de vencer a competição disputada no Chile. “Em 2007, quando ganhamos, não era tão importante assim. Agora parece que é Copa do Mundo. Ganhar é sempre bom. Pela seleção é alegria maior ainda porque mexe com a paixão do brasileiro. O que importa é que serão 30 dias que teremos que aproveitar muito bem”, destacou o comandante.

Do traumático grupo de jogadores que representou o Brasil na Copa de 2014, apenas sete jogadores se mantiveram no elenco. Dois deles sequer participaram da fatídica partida contra a Alemanha no Mineirão: Thiago Silva, suspenso naquele momento, e Neymar, lesionado. Jefferson, Daniel Alves, David Luiz, Fernandinho e William terão outra oportunidade de escrever um novo capítulo pela seleção.

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Dos amistosos, não há do que se queixar. O 100% de aproveitamento pós-Copa sobre rivais de peso, tais como Argentina, Chile e França, conferem mérito a um novo método de trabalho de Dunga que, a rigor, começará a ser testado com mais força a partir da Copa América.

Para o comentarista esportivo dos canais Premiere #Futebol Clube e ex-cronista do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, Mário Marcos de Souza, nada que venha a ser conquistado apagará o 7x1, mas Dunga terá a missão de ajustar a equipe em um torneio oficial visando as Eliminatórias para a Copa de 2018, que começam em outubro.

“Está na história. Nada do que a seleção venha a fazer vai conseguir apagar o vexame que foi. Não será apagado. Esse torneio será importante porque se trata de uma competição oficial. É preciso moldar desde logo a equipe para as Eliminatórias, certamente a grande competição para a equipe”, opina Mário Marcos.

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Nomes como Miranda, Elias, Marcelo Grohe, Fabinho, Fred e Roberto Firmino ilustram perfeitamente o sentido de reconstrução adotado pela nova filosofia de futebol da seleção brasileira.

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Como ponto de partida para qualquer tipo de mudança, ele: Neymar. Capitão de Dunga, o atacante vive a melhor fase da carreira jogando em um ataque letal no Barcelona com a companhia de Messi e Suarez – campeões da Champions League no último final de semana. Mas, na Copa América, Neymar não terá Suarez e Messi será adversário.

Por falar em Messi, a Argentina de Tata Martino entra na competição com o status de favorita que um vice-campeonato mundial obrigatoriamente lhe dá. Além disso, Carlitos Tevez, em ótima fase no futebol italiano, está de volta à seleção. Os anfitriões chilenos também querem fazer bonito. Com uma geração recheada de bons valores como Sánchez, Vidal e Aránguiz, a equipe de Jorge Sampaoli reúne condições suficientes para fazer um grande torneio. A Colômbia, de Falcao e James Rodriguez, não pode ser descartada. Uruguai e Paraguai correm por fora – e é justamente assim que são ainda mais perigosos.

Com o dilema de jogar com a obrigação de ser campeão ou formar um time consistente independente dos resultados, frente a rivais qualificados e com ótimas gerações, o Brasil entra em campo no domingo, contra o Peru, ainda envolto por uma nuvem negra que começou a se formar no céu de Minas Gerais em julho do ano passado. #Entretenimento