A esquerda arrasadora na paralela desferida no match point da final se repetiu durante todo o jogo. Ou melhor, durante todo o torneio. Quis o destino que Stan Wawrinka terminasse o duelo decisivo contra Novak Djokovic com o seu mais bonito golpe. Na sequência, levantou um trofeu que estranhou o novo dono: as mãos eram diferentes, não tinham os calos de um certo espanhol.

A taça que Wawrinka garantiu no domingo, depois de bater de virada o sérvio número 1 do mundo, Novak Djokovic, com parciais de 4/6 6/4 6/3 6/4, foi erguida por Rafael Nadal em nove das dez edições anteriores. Apenas em 2009, quando Rafa perdeu para o sueco Robin Soderling nas oitavas e abriu caminho para Roger Federer vencer o único Grand Slam que lhe faltava, o espanhol conheceu o gosto amargo de uma derrota no saibro parisiense.

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Diriam os mais velhos que todo o carnaval tem seu fim. O #Tênis não tem ala das baianas e muito menos carros alegóricos, mas até mesmo a mais longeva das hegemonias chega ao seu final. O eneacampeão entrou na edição de 2015 ciente de que este seria o mais difícil dos nove já conquistados. Nos torneios preparatórios jogados no saibro, que Nadal se acostumou a ganhar de olhos fechados, nenhum título. O presságio não era bom. O desfecho, muito menos.

Nas quartas de final era chegada a hora do duelo que o mundo queria ver. De um lado, Novak Djokovic, cada vez mais seguro sobre uma forma de jogar que se aproximava da perfeição. Do outro, Rafael Nadal, que mesmo jogando no quintal de sua casa não conseguia repetir o desempenho e a autoridade em quadra de outros anos. Na disputa entre os opostos que se assemelham, o sérvio não tomou conhecimento algum. Os três sets a zero traduziram fielmente aquilo que se viu em quadra.

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Naquele momento, Djokovic impunha a Nadal sua segunda derrota em 72 confrontos em Roland Garros. Ao mesmo tempo, impedia que o espanhol chegasse ao sexto título consecutivo no Grand Slam do saibro. Não era pouca coisa. Nole sabia disso: “Tenho um respeito imenso por ele, trata-se de um grande campeão. Só tinha perdido um jogo aqui. Me concentrei em todos os pontos. Estou contente”, afirmou, ainda em quadra, naquela fatídica quarta-feira, que, como se não bastasse, era aniversário de Nadal. O presente não foi nem grego: foi sérvio.

"Perdi contra o melhor jogador do mundo hoje em dia. Creio que é o melhor ano da carreira dele e vejo que tem enormes chances de vencer esse torneio. Quanto a mim, não sei se ganharei um décimo título em Roland Garros, mas as nove conquistas que já tive estarão para sempre guardadas", resignou-se Nadal.

Zebra na final

 

Nadal tinha razão. De fato, Djokovic tinha boas chances de vencer Roland Garros em 2015, fechando assim a conquista do “Career Slam” - quando o tenista vence todos os torneios Grand Slams (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e USOpen) ao menos uma vez.

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Na semifinal contra o britânico Andy Murray, as doses extras de sofrimento não foram suficientes para solapar o sérvio do seu maior objetivo.

Na grande final, um velho conhecido de batalhas inesquecíveis no Australian Open. O suiço Stan Wawrinka, em Paris, já havia eliminado tenistas do calibre de Roger Federer e Jo-Wilfried Tsonga. Merecia muito respeito. E teve. Em uma atuação de gala, Stan abusou dos winners de esquerda, soube variar o jogo e aproveitar-se da visível ansiedade de Djokovic, que não conseguiu controlar o desejo de vencer pela primeira vez em Paris.

De virada, em 3h12min de partida, com parciais de 4/6 6/4 6/3 6/4, Wawrinka acabou com o sonho de Djokovic. Assim resumiu o campeão: “Foi o jogo da minha vida. Estou orgulhoso. Foi um dos maiores desafios de minha carreira, porque sei o quando Novak queria ganhar aqui”. Ele ainda quer. E 2016 é logo ali. #Entretenimento #Europa