Jogo a jogo, Fernandão enchia cada vez mais os olhos da torcida pelo faro de gol aliado a uma classe capaz de deixar um companheiro livre com apenas um toque na bola. A liderança era natural. Capitão absoluto de um time que ganhou corpo com a chegada de novos companheiros como Iarley e Tinga, o camisa 9 era homem da total confiança de Muricy Ramalho, treinador do Inter no misterioso campeonato brasileiro de 2005, vencido pelo Corinthians depois de 11 jogos serem anulados.

“Foi duro para nós. Ganhamos dentro de campo e nos tiraram. O Inter ainda estava em reformulação e o Fernandão foi fundamental para esse ressurgimento do clube até ser campeão mundial, porque ele fazia a diferença”, comenta Muricy.

Publicidade
Publicidade

O ano seguinte se aproximava e Fernandão queria ganhar. Dessa vez, de verdade. Sem Muricy e com Abel Braga, o capitão novamente foi peça decisiva na montagem de um time que marcou época no Inter em 2006. Primeiro, a Libertadores. No jogo decisivo, o instinto artilheiro do líder brilhou ao aproveitar-se de uma bola simples oferecida por Rogério Ceni. O Inter sagrava-se campeão da Libertadores pela primeira vez e Fernandão erguia a taça para delírio dos colorados. Na coletiva pós-jogo, o atacante apareceu com uma bandana do Japão. Sabia o que viria logo ali.

Jornalista colorado e idealizador do site Impedimento, Douglas Cecconello rememora uma passagem de Fernandão que retrata bem o que o jogador representava para o clube. “Após a semi da Libertadores contra o Libertad em 2006, perguntaram para ele se o Inter fazia história ao chegar a esse lugar depois de 26 anos.

Publicidade

A resposta foi essa: “fazer história no Inter é ser campeão”. Depois, no fim do jogo contra o São Paulo na final, lá estava Fernandão enfiado na própria área jogando como um zagueiro. Entre brilhar ou vencer, acredito que ele sempre preferiu vencer”, salienta.

Faltava o mundo. Representando a América, o Inter desembarcava em dezembro de 2006 no Japão com uma missão um tanto quanto ingrata: desbancar o Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho. Minutos antes do jogo, a apreensão estampava o rosto dos jogadores colorados. Olhos ao capitão, era chegada a hora de Fernandão gritar.

“Chegou a hora. Chegou o tão sonhado momento. Chegou contra uma equipe que não é imbatível. Chegou contra uma equipe que tem defeitos sim! Estamos aqui porque temos qualidade, ninguém caiu aqui de para-quedas. E lá dentro, dá o máximo. Só que aí a gente vai ver que quando se chega no máximo, ainda dá para dar mais um pouquinho! Vamos lá dentro e vamos sair daqui campeão mundial!”.

A vitória que começou a ser construída no vestiário ganhou contornos de drama quando ele, o capitão e líder da equipe, sentiu câimbras e teve de ser substituído pelo tão questionado Adriano Gabiru.

Publicidade

Com um desfecho que nem o mais criativo roteirista poderia escrever, coube ao próprio Gabiru vencer Victor Valdes e fazer o gol da vitória colorada, pondo o todo poderoso Barcelona ao solo. Fernandão voltaria. Levantou a taça e gritou alto que era campeão do mundo, em uma cena histórica eternizada em forma de estátua, que mantém viva a memória do ídolo no pátio do Gigante da Beira-Rio. #Sport Club Internacional