Há exatamente um ano Fernando Lúcio da Costa falecia às margens do rio Araguaia em uma tragédia fatal envolvendo o helicóptero que voltava com outros quatro amigos. Aos poucos, a notícia foi ganhando as ruas de Porto Alegre e Goiás e gerando uma incredulidade que perdura desde o fatídico 7 de junho de 2014 até hoje. No Goiás, a base. No Inter, a glória.

Jornalista colorado, idealizador do site Impedimento e responsável pelo blog Meia Encarnada, no Globoesporte.com, Douglas Cecconello crê que não é exagero afirmar que a história do Inter se divide entre antes e depois de Fernandão:

"Certamente se divide entre antes e depois dele.

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Vou até mais além: a história dos colorados se divide entre antes e depois de Fernandão. E isso não apenas considerando a relação dele com o clube. Acredito que a história pessoal da torcida mudou depois que ele capitaneou aquela fase retumbante do Inter", avalia.

Dono de um faro de gol indiscutível aliado a uma classe exuberante em campo, o jogador liderou conquistas históricas em seus quatro anos de Inter, de 2004 a 2008. Em 2006, sem dúvida, um ano mais do que especial, com os títulos da Libertadores e do Mundo, diante do Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Cecconello conta uma passagem de Fernandão que demonstrava bem a importância que ele exercia no time:

"Quando ele entrou em campo na estreia naquele Grenal do milésimo gol, nós colorados éramos descrentes e necessitados, vivíamos em uma representação da miséria.

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Fiquei de olho nele desde que entrou e daqui a pouco ele deu um passe suave, que deslizou na grama. Pensei: "pelo menos passar uma bola ele sabe". Depois, na final da Libertadores contra o São Paulo, lá estava ele jogando de zagueiro na própria área. Entre brilhar ou vencer, acredito que ele preferia vencer", conta o jornalista.

Como diretor e treinador, a decepção

Ao encerrar a carreira como jogador profissional em 2011 pelo São Paulo, Fernandão recebeu prontamente o convite para integrar a diretoria de #Futebol do Inter, então treinado por Dorival Júnior. Em 2012, por conta da má fase vivida no brasileirão, Dorival foi demitido e o antigo capitão teve a oportunidade de ser o treinador do clube. Além dos maus resultados, problemas de relacionamento no vestiário marcaram a passagem de Fernando como técnico.

Na visão de Cecconello, nem isso foi capaz de afetar a idolatria dos tempos de jogador. "A ruptura entre clube e ídolo sempre traz turbulências. É normal, já que é íntima e passional. De qualquer forma, é sempre estranho ver alguém que já alcançou a condição de ídolo convivendo diariamente no clube. Por isso, sou contra os clubes repatriarem jogadores históricos. A morte de Fernandão, tão inesperada, acabou sendo o doloroso capítulo para alça-lo ao mais alto patamar da idolatria", finaliza. #Sport Club Internacional