Quem sabe, em um país de memória esportiva fraca, poucos lembrem de Walter José Pereira. Se dissermos o nome pelo qual ele ficou conhecido, talvez alguns torcedores mais antigos lembrem. Ele foi o Vavá, uma lenda ainda viva de uma história que honraria qualquer futebolista.

Os atleticanos mais fervorosos ainda reclamam o reconhecimento da história que ficou conhecida com a conquista da copa "Campeão do Gelo". Na galeria dos feitos atleticanos, não há destaque e nem o herói da jornada é reconhecido pelas diretorias mais recentes do clube.

Do time campeão, segundo aqueles que lembram, um esquadrão imbatível, sobram poucos.

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O tempo se encarregou de levar um por um para jogar aquele #Futebol bonito nas pradarias celestes, onde nos campos de futebol, e nas quadras de todos os outros esportes, os antigos ídolos devem brilhar.

Vavá atinge neste ano sua 83ª primavera. O feito de 1950 está vivo na memória de poucos, mas é lembrado, sem que muitos saibam o significado, na letra do hino do time, onde pode-se ler: "nós somos campeões do gelo / nosso time é imortal".

Este mesmo sentimento acontece com muitos outros campeões, principalmente os remanescentes da primeira conquista canarinha obtida na Suécia. O craque fica chateado quando o espírito brincalhão brasileiro resvala para a ironia, quando lhe perguntam: o que aconteceu com a taça, derreteu? O sorriso constrangido que acompanha a resposta mostra a educação do jogador e o descaso das novas gerações.

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A excursão teve um périplo por cinco países e durante a jornada o time mineiro venceu seis partidas, perdeu duas e empatou outras duas. Ao final da excursão, o time foi premiado com uma alcunha hoje esquecida: "campeão do gelo". Imagine, brasileiros acostumados a um clima tropical, jogando e ganhando, sob temperaturas abaixo de zero, escorregando no gelo e neve que caia nos campos.

A inexperiência em viagens internacionais se revelou na necessidade da compra de agasalhos de frio para todos os jogadores, que levaram suas roupas comuns, não esperando temperaturas tão baixas.

Um dos fatos que surpreendeu os mineiros foi encontrar na Europa um cenário pós-guerra que deixava os jogadores constrangidos, e alguns até amedrontados. Eles passaram por cidades destruídas. E Vavá ainda lembra que a comida era batata com carne de porco. O destaque dado na Alemanha ao feito atleticano é maior que aquele dado pelos dirigentes do clube, que esquecem do primeiro feito internacional de um clube mineiro em circuito europeu.

Espera-se que não somente este fato, mas tantas outras conquistas, comecem a ficar registradas na história dos clubes brasileiros, e que os grandes fatos venham a ser reconhecidos pelos cartolas, mais interessados em pendurar suas fotos na galeria de presidentes de clubes de futebol, cargo que hoje perde o brilho e encanto, frente a tantos desmandos cometidos. #Atlético Mineiro