São poucos os que podem se dizer ídolos de duas torcidas rivais, como as do Atlético Paranaense e do Coritiba, forças que se digladiam dentro e fora dos campos, nem sempre da forma mais civilizada possível, com uma violência que já chegou a produzir mortes.

Um destes jogadores completou 70 anos de idade. Seu nome é José Roberto Marques ou, como ele gostava de ser chamado, simplesmente Zé. Além dos torcedores dos dois times, a noite paranaense também lembra do ídolo, sempre paparicado pelos torcedores fosse ao bar que fosse. O homem era boêmio de carteirinha e por natureza.

Seu apelido, devido ao tamanho de suas pernas e a velocidade de seus deslocamentos, era "Gazela".

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Ele completa com Krüguer, Hidalgo, Sicupira, e outras figuras do folclore futebolista paranaense uma constelação de grandes jogadores, muitos dos quais podem ser encontrados na boca maldita em papo com jovens que vibram com suas histórias.

Ele era um meia atacante destes que não mais se fabricam. A forma parece que foi perdida já alguns anos. Se você lhe perguntar por qual time ele torce, um sorriso se abrirá e ele repetirá que gosta dos dois. Para fechar com chave de ouro diz que o time de seus sonhos é uma mistura de jogadores do Atlético e do Coritiba, quando lá ele jogou. Não tente insistir que o Gazela irá desconversar, mas sem ficar bravo. Ele parece aquele urubu malandro, que olha para a direita, olha para a esquerda e coloca a mão tapando a boca, para esconder um sorriso.

Os atleticanos juram que o clube para o qual torcem é o do coração do Gazela.

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Dou outro lado do alambrado, os rivais curitibanos dizem a mesma coisa. Depois de um AVC que o deixou alquebrado, ele passa seus dias tranquilo na pequena cidade de Serra Negra em São Paulo.

Quando Dario e Roberto Miranda foram convocados para a copa do México, se desenhou uma das grandes injustiças sempre lembrada pelos paranaenses. Ele não apenas considerado melhor pelos torcedores dos dois times, mas pelos cronistas da época também. Dizem as más línguas, que se Tostão não tivesse se recuperado, ele seria o meia brasileiro. Ele somente não subiu na seleção, segundo suas próprias palavras "... porque não dava muita importância ao profissionalismo), o que ele demonstrou sobejamente.

Atualmente seu hobby é ir até um pequeno lago nas proximidades de sua casa, pescar algumas tilápias para comer bem fritas como ele gosta. Ele deixa manifesto para quem pergunta, o seu arrependimento pela vida boêmia e por ter cedido ao cigarro e à bebida, o que fez com que nos dias atuais esteja com a saúde debilitada. Para quem quiser vê-lo a passear na boca maldita, ele já disse que gostaria muito de morar em Curitiba. Se alguém chegar com uma proposta é capaz de ele vir terminar seus gloriosos dias na capital que sempre o recebeu de braços abertos. #Futebol