Pela primeira vez, o Brasil era conquistado por um time do interior. O feito remete a 1978, quando o Guarani surpreendeu ao bater os principais clubes e assegurar o inédito título nacional nos passos de Zenon, Renato “Pé Murcho” e Careca, que mais tarde viria a se consagrar como um dos maiores centroavantes do país.

O ano começava recheado de dúvidas no Brinco de Ouro da Princesa. Sem dinheiro para fazer contratações de peso, o Guarani tinha a consciência da necessidade de montar um grande time sobretudo para dar uma satisfação à torcida, que viu de perto a grande rival Ponte Preta levar o vice-campeonato paulista no ano anterior.

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Para tanto, apostou no treinador Carlos Alberto Silva, que tinha feito bom trabalho na Caldense, de Minas Gerais, e poderia conduzir o Bugre apostando em jovens das categorias de base. Com o andar dos meses, Silva foi recebendo alguns reforços e, aos poucos, esboçando taticamente o time que viria a encantar o Brasil.

Dinâmico, técnico e ofensivo, com uma linha de ataque poderosa formada por Capitão, Bozó e o jovem Careca de 17 anos, o Guarani foi batendo um a um dos seus adversários no campeonato brasileiro de 1978. A estreia no certame com derrota em casa por 3x1 para o Vasco, com três gols de Roberto Dinamite, foi um ponto fora da curva. O time ganhou corpo durante a competição e com muita justiça avançava com o passar das fases.

Um episódio protagonizado pela imprensa do Rio Grande do Sul ajudou a fortalecer a união entre os jogadores bugrinos.

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Prestes a encarar o Inter em Porto Alegre, o Guarani foi alvo de piadas entre os jornalistas locais, que o chamaram de “time de circo e de risos” em decorrência do apelido de alguns atletas, como Bozó, Careca e Capitão – por sinal, o trio de ataque. Carlos Alberto Silva usou o fato a seu favor e motivou seus jogadores para a partida, que resultou em um passeio do Bugre, fora o baile: 3x0 contra o Inter, em pleno Beira-Rio.

Ao eliminar com méritos Sport e Vasco nas quartas e semifinais, o Guarani garantiu o seu lugar na finalíssima diante do Palmeiras do goleiro Emerson Leão e Jorge Mendonça, que era, claro, favorito. No primeiro jogo, testemunhado por 104 mil pessoas no Morumbi, o placar só foi construído no segundo tempo, quando o meia bugrino Zenon bateu corretamente um pênalti polêmico cometido por Leão em Careca. O time de Carlos Alberto Silva dava um grande passo ao título, já que o empate lhe favoreceria no segundo jogo.

Mas uma vitória seria bem melhor. E ela não poderia vir de outros pés que não fossem os do artilheiro Careca. Aos 36 minutos do primeiro tempo, o centroavante aproveitou um rebote e estufou as redes de uma das goleiras do Brinco de Ouro da Princesa, dando números finais ao segundo jogo da decisão. O Guarani sagrava-se então o grande campeão brasileiro de 1978.

Time-base: Neneca; Mauro, Gomes, Édson, Miranda; Zé Carlos, Renato, Zenon; Bozó, Capitão e Careca. Técnico: Carlos Alberto Silva. #Entretenimento #Futebol #Crise