Ao bater calmamente o pênalti derradeiro que garantia pela primeira vez o título de #Copa América ao Chile, Alexis Sánchez estava coroando um processo iniciado em 2007, quando o posto de terceiro lugar no Mundial sub-20 disputado no Canadá mostrava que, se bem lapidada, a nova geração chilena poderia render bons frutos em um futuro próximo. Sánchez e Vidal, astros do atual time, fizeram parte daquela campanha.

A quebra de estatísticas negativas virou um mantra da nova seleção chilena. Até 2008, jamais haviam vencido a Argentina em competições oficiais. Nas eliminatórias para a Copa de 2010 o tabu foi mandado às favas, com uma vitória convincente no mesmo Estádio Nacional, em Santiago, que serviu de palco nesse sábado (4) para o êxtase tão logo a conquista inédita da Copa América.

Publicidade
Publicidade

Dos jogadores que estavam presentes na primeira vitória sobre a Argentina na história, Bravo, Valdivia, Fernandéz, Vidal e Beausejour continuam na seleção e estiveram em campo na final de sábado. Se em 2008 o treinador responsável pelo feito era Marcelo Bielsa, em 2015 o responsável é Jorge Sampaoli – o mais fiel discípulo de toda a escola de treinadores formada por El Loco.

Em 105 anos de história, a seleção chilena padecia com a ausência de títulos mesmo com bons times formados com o passar dos anos. A continuidade dada a uma geração de jovens que demonstraram qualidade, aliada a jogadores experientes e um treinador obcecado pela vitória cujo maior aprendizado foi a inventividade de seu mentor Bielsa balizaram o Chile a um feito antes não visto: taça no armário e faixa no peito.

Publicidade

Antes mesmo da materialização em título do bom trabalho realizado no Chile, diversos jogadores do país já vestiam camisas importantes do #Futebol europeu. Arturo Vidal, por exemplo, disputou pela Juventus, da Itália, a última final da Champions League, vencida pelo Barcelona. Alexis Sánchez, que já esteve no clube catalão, hoje defende o Arsenal. Vargas, do Valência, foi para o QPR, da Inglaterra.

Os que se mantêm no continente seguem protagonistas: entre idas e vindas, lesões ou suspensões, Valdivia segue ídolo no Palmeiras, enquanto Charles Aránguiz é peça fundamental em um Inter semifinalista de Libertadores.

O futebol dinâmico, envolvente e ofensivo, sem perder a obediência tática insistentemente cobrada por Sampaoli e a bravura característica do futebol sulamericano não demorou a receber rasgados elogios de antigas lendas do futebol chileno. Com discurso afinado, raros não afirmavam o óbvio: trata-se da melhor geração chilena de todos os tempos.

Presente na época em que vencer o Brasil era motivo de festa no país, o ex-atacante da seleção durante a década de 90 Marcelo Salas puxa a fila das opiniões de que este é o melhor Chile da história:

“Na minha época, eu escutava constantemente que a nossa geração era a melhor de todas.

Publicidade

Mas essa é bem mais completa. De cada nome de hoje podemos falar por meia hora, sobre a Copa do Mundo que jogou, a Copa América que jogou. É a melhor geração justamente pela qualidade dos jogadores que possui”, destacou Salas, antigo companheiro de ataque de Ivan Zamorano. 

Na grande decisão, o nervosismo e a ansiedade causada pela proximidade do tão sonhado primeiro título inibiram, por momentos, a mecânica natural do jogo chileno capaz de envolver a maioria dos seus adversários. Do outro lado, a Argentina não ofereceu parceria suficiente a Messi e ficou refém dos lampejos do craque. No desempate através dos pênaltis, melhor para quem nunca havia chegado lá – mas que tanto trabalhou para merecer estar.