Há 33 anos, no dia 5 de julho de 1982, uma das Seleções Brasileiras mais aplaudidas em toda a história do Brasil em Copas, era eliminada pela Itália.

O Brasil, que na 1ª fase despachara a União Soviética por 2 a 1, a Escócia por 4 a 1 e a Nova Zelândia por 4 a 0, iniciou a segunda fase oferecendo um chocolate para a Argentina na vitória por 3 a 1. Com um #Futebol moderno e uma equipe recheada de craques, o time de Telê Santana, era considerado o favorito para vencer o Mundial.

Com Zico em ótima forma, Falcão, um dos melhores jogadores do mundo, Sócrates dando tudo de si, o ponteiro Éder, os excelentes laterais Leandro e Júnior, ambos do Flamengo, e Oscar garantindo a retaguarda, não se contava com a surpresa italiana.

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Falcão conta que, antes da partida, numa conversa por telefone com seu colega de time, Bruno Conti, combinaram uma troca de camisas, e o italiano disse ao amigo que o Brasil continuaria na competição após o jogo. Talvez por amizade e educação.

Mas Telê pareceu não se preocupar com dois pontos fracos fatais na equipe. Escalara um goleiro mediano (Waldir Perez) e um centroavante pouquíssimo produtivo (Serginho Chulapa), enquanto Raul e Leão, goleiros que estavam em ótima forma, nem foram convocados, e Roberto Dinamite, também numa excelente fase, amargou a reserva no banco. Pagou o preço pela teimosia, que lhe era peculiar.

A TRAGÉDIA DO SARRIÁ

Com o empate, o Brasil estaria classificado para as semifinais. A torcida estava extremamente confiante, praticamente num clima de "já ganhou".

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A imprensa exultava os canarinhos. O Estádio Sarriá, em Barcelona, demolido em 1997, seria o palco para a grande disputa. Com uma marcação homem-a-homem, os italianos neutralizaram os pontos fortes do Brasil, que eram as subidas dos laterais e as arrancadas de Zico do meio de campo para o ataque. Falcão e Sócrates também sofreram dificuldades com essa marcação, apesar de terem sido os autores dos dois gols brasileiros.

Com 5 minutos de jogo, Paolo Rossi inaugura o placar. Mas como o Brasil era o time das viradas, numa combinação do triângulo mágico da Seleção, Zico recebe passe de Falcão, toca para Sócrates, que atacava pela direita e fuzilou Dino Zoff, decretando o empate. Ainda no primeiro tempo, aos 25 minutos, Cerezo dá um passe - isso mesmo - para Rossi, que recoloca os azuis em vantagem. Júnior lhe fez engolir o choro pela besteira, ameaçando com uns bofetes se chorasse, quase expulsando o mineiro de campo, numa tentativa de recompor o volante.

Dera certo. Aos 22 minutos do 2º tempo, Cerezo atraíra a marcação italiana pela direita, deixando Falcão livre para o arremate fatal.

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O Rei de Roma empatava o jogo. Mas, aos 29 minutos do segundo tempo, um jogador que estava com atuações abaixo da média durante a Copa, sacramenta o 3 a 2. Ele mesmo. Paolo Rossi, ao fazer seu terceiro gol, transformara-se no autor da "Tragédia de Sarriá".

DECEPÇÃO E VOLTA POR CIMA 

No vestiário, clima de velório. Jogadores choravam e Telê tentava animar o time, dizendo que o Brasil jogara o melhor futebol da Copa, e que todos poderiam voltar para casa de cabeça erguida. Júnior dizia para Zico que a vontade era de dormir 4 anos e acordar na hora de reverter a injustiça. Mas a revanche só aconteceu 12 anos depois.

A Seleção não tinha mais Zico, Sócrates, nem Falcão. Mas tinha a dupla dinâmica do ataque, Romário e Bebeto, que arrasaram as defesas na Copa dos EUA, pegando logo a Itália na final, ambos os países disputando o tetracampeonato. Que acabou ficando com o Brasil. #Seleção de Futebol #Resenha Esportiva