Calendário apertado, pressão da torcida, salários atrasados, frio e gramados ruins. Orçamento limitado, perda de jogadores, clássicos, calor e obrigação de vencer. Acrescenta-se, neste cenário desanimador que representa o #Futebol brasileiro, a figura de um treinador estrangeiro, de cultura e ideias diferentes, desacostumado com o calvário de técnicos que por aqui impera. O resultado disso já é conhecido: a mistura não combina, a receita dá em água e os gringos são corridos do país.

Nos últimos 10 anos, apenas oito bravos treinadores de fora do Brasil se aventuraram a mergulhar no mar de incertezas que, não raro, afoga o futebol brasileiro.

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Naufragaram antes mesmo do barco concluir viagem. O uruguaio Diego Aguirre representa o caso mais emblemático. Campeão gaúcho de 2015 e semifinalista da Libertadores com o Inter, acabou sendo dispensado no início de agosto com mais de 60% de aproveitamento no ano. Em seu lugar, entrou Argel Fucks.

Mesmo demitido no oitavo mês do ano, Aguirre segue como o recordista de tempo em um clube brasileiro entre os demais treinadores de fora que também por aqui passaram desde 2005. O uruguaio permaneceu no Inter entre os dias 23 de dezembro de 2014 e 6 de agosto de 2015. Juan Ramón Carrasco, compatriota do antigo técnico colorado, é o segundo colocado no ranking, tendo permanecido no comando do Atlético-PR entre 26 de dezembro de 2011 e 12 de junho de 2012.

A cobrança por resultados imediatos põe em uma bandeja a cabeça de um a um dos treinadores estrangeiros que se arriscam no Brasil.

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Dos oito, nenhum deles teve a possibilidade de concluir o trabalho até o fim da temporada. Todos foram demitidos antes. Jorge Fossati, uruguaio que comandou o Inter em 2010, chegou a colocar o clube na semifinal daquela edição da Libertadores. Mesmo assim, foi demitido semanas depois para a entrada de Celso Roth.

David Butter, jornalista e blogueiro do site Globoesporte.com, onde abastece o blog Chuteira Preta, avalia que uma certa “arrogância” domina o futebol brasileiro depois das conquistas nas Copas do Mundo.

“Essa impaciência está ligada ao orgulho que se tem. Mesmo depois da primeira conquista em 1958, persiste a tese da síndrome de vira-lata, mas ao mesmo tempo passou a existir uma ideia de autossuficiência, que acaba estourando nessas horas. “Ninguém precisa ensinar a gente”, e coisas desse tipo”, opina Butter.

Único treinador estrangeiro presente na Série A até o momento, o colombiano Juan Carlos Osorio sente na pele as dificuldades em se trabalhar no Brasil, mesmo em um clube de ponta como o São Paulo.

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Desde que chegou, Osorio já perdeu oito jogadores vendidos ao exterior e tem convivido com salários atrasados. No mesmo passo, sua filosofia de futebol que defende o rodízio e a mudança de jogadores, sofre resistência na imprensa. Ao que tudo indica, ele será o próximo.

Desde 2005, os técnicos estrangeiros na Série A do Campeonato Brasileiro:

1° - Diego Aguirre (Uruguaio – Internacional) – 23/12/2014 a 06/08/2015

2° - Juan Ramón Carrasco (Uruguaio – Atlético-PR) – 26/12/2011 a 12/06/2012

3° - Jorge Fossati (Uruguaio – Internacional) – 15/12/2009 a 28/05/2010

4° - Miguel Ángel Portugal (Espanhol – Atlético-PR) – 08/01/2014 a 19/05/2014

5° - Juan Carlos Osorio (Colombiano – São Paulo) – Desde 26/05/2015

6° - Ricardo Gareca (Argentino – Palmeiras) – 16/06/2014 a 01/09/2014

7° - Daniel Passarella (Argentino – Corinthians) – 01/03/2005 a 10/05/2015

8° - Lothar Matthäus (Alemão – Atlético-PR) – 12/01/2006 a 18/03/2006 #Entretenimento