Poderia ser apenas mais uma edição normal da revista “Veja” a circular pelo país, mas a capa do dia 23 de setembro de 2005 mudaria completamente o rumo do Campeonato Brasileiro do mesmo ano. Edílson Pereira de Carvalho, à época um dos 10 árbitros brasileiros pertencentes ao quadro da Fifa, estampava a histórica publicação que denunciava a “Máfia do Apito” - esquema de compra de juízes de futebol para favorecer apostadores clandestinos.

Assinada pelo então repórter André Rizek, hoje jornalista do SporTV, a bombástica matéria desvendava um escândalo de arbitragem comandado pelo empresário Nagib Fayad, o Gibão, que aliciava árbitros de diferentes campeonatos para interferirem nos resultados das partidas e, dessa forma, colaborarem com apostas milionárias em sites clandestinos.

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Cada árbitro ganhava em torno de R$ 10 mil por jogo. Edílson, pivô da polêmica, já havia apitado 25 jogos na temporada até aquele momento, sendo 11 deles pelo Campeonato Brasileiro.

A partir daquele momento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) já sabiam que ele tinha sido comprado e apitado jogos sob essa condição. O grande dilema a ser enfrentado pelas duas instituições, acompanhado de perto pelos clubes interessados, era o que poderia ser feito com as partidas que ele apitou.

O efeito da publicação e o clamor popular obrigaram as autoridades a prenderem os envolvidos já no dia seguinte, uma madrugada de sábado, 24 de setembro. Gibão e Edílson, figuras centrais no esquema de manipulação de resultados, foram presos. Paulo José Danelon, que apitava jogos da Série B, também teve envolvimento apontado e passou a ser investigado.

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Na ocasião, dizia-se que ele teria sido o responsável por apresentar Pereira de Carvalho ao empresário do ramo das apostas.

No domingo seguinte, Luiz Zveiter, então presidente da comissão de arbitragem da CBF, veio a público informar que cada uma das partidas apitadas por Edílson Pereira de Carvalho na Série A do Campeonato Brasileiro, 11 no total, seriam analisadas individualmente e poderiam ser canceladas. No entanto, ele rechaçava a possibilidade de parar o certame, que, inclusive, teria importante rodada naquele dia.

Dentro de campo, cada rodada apresentava uma emoção diferente, já que Corinthians e Inter disputavam ponto a ponto o título do campeonato. Mas, com a decisão de anular as onze partidas, os paulistas levaram grande vantagem. De líder com 51, o Inter passou a vice com 48 ao perder os três pontos do jogo contra o Coritiba. Por outro lado, em seus dois jogos arbitrados pelo árbitro comprado, o Timão havia perdido para São Paulos e Santos e se manteve com os mesmos 50 pontos, que viraram 54 depois da nova realização dos jogos.

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“Chegou-se a conclusão da possibilidade de jogo duplo. A palavra dele (Edilson) não tem credibilidade. Mesmo quando não tivesse negociado, ele poderia querer dar mostras de que controlava o jogo. Por isso, anulamos essas partidas”, explicou, na ocasião, Zveiter.

Edílson beijava duas santinhas de bolso antes de dar o pontapé inicial a cada partida que arbitrava. Demonstrava ser um homem de fé. Ao deixar com que o dinheiro falasse mais alto, não apenas colocou um ponto final na sua carreira, mas atrapalhou o trabalho de muitos profissionais e o sonho de torcedores que em nada tinham a ver com sua vida. Colocou uma mancha que borracha nenhuma será capaz de apagar em um dos campeonatos mais emocionantes dos últimos tempos. #Corinthians #Corrupção #Corrupção no futebol