O que era para ser mais um simples retorno após um amistoso virou um pesadelo que para sempre marcaria a história do Brasil de Pelotas. Depois de vencer o Santa Cruz em partida preparatória para o Gauchão de 2009, a delegação do Xavante voltava para casa normalmente quando o ônibus saiu da pista e foi parar em um barranco no km 150 da BR 392, na altura de Canguçu, na zona sul do Rio Grande do Sul.

O ídolo Cláudio Milar, o zagueiro Régis e o preparador de goleiros Giovani Guimarães faleceram no acidente, que rapidamente se espalhou pelos principais noticiários e fez o estado inteiro chorar com a tragédia que acometia um dos mais queridos clubes do país.

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Tentando juntar os cacos e se remontar para o estadual do mesmo ano, o time recebeu alguns jogadores da dupla Gre-Nal e tentou, em vão, seguir na temporada. Foi rebaixado à Divisão de Acesso e ali poderia ser o fim.

Poderia. Na contramão da imensa maioria dos clubes brasileiros, o Brasil de Pelotas fez do grave acidente o ponto de partida para se reerguer de forma planejada, apostando em continuidade e tendo o seu fiel torcedor como principal combustível. Rogério Zimmermann, técnico do Xavante, chegou em maio de 2012 para liderar um projeto que, ano após ano, passou a demonstrar expressivos resultados. Em 2015, o Ceará procurou o treinador. Ele não quis nem conversar.

A partir de 2013, o Brasil, literalmente, pegou uma escada. Naquele ano, sequer tinha divisão nacional para disputar, mas sagrou-se campeão da Série B gaúcha e voltou à elite estadual.

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No ano seguinte, foi o melhor do interior e garantiu o vice da Série D nacional. Neste sábado, diante de um Fortaleza embalado por 60 mil pessoas, segurou bravamente o 0x0 no jogo de volta das quartas de final da Série C e garantiu o retorno à segunda divisão do país. Um feito incrível de um clube que merece toda a glória possível, mas que sabe que ela não virá sem trabalho, continuidade e planejamento.

Uma muralha chamada Eduardo Martini

Se a classificação desse sábado tivesse que receber um nome, certamente seria Eduardo Martini. O experiente goleiro Xavante transformou-se em uma enorme muralha e impediu qualquer tentativa do valente Fortaleza, que não deixou de lutar nem por um minuto sequer. Já perto do final do jogo, Martini salvou dois incríveis chutes disparados de fora da área por Elias e Pio.

O time da casa, embalado pelo experiente Corrêa, de longas passagens por clubes como Palmeiras e Atlético Mineiro, insistia em bolas cruzadas na área e em arremates de longa distância.

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A barreira pelotense postada em frente ao gol impedia qualquer chance real dos cearenses, que frustraram aproximadamente 60 mil torcedores que ajudaram a dar um colorido especial ao estádio Castelão.

Já perto do final de jogo, o lateral-esquerdo Xaro, do Brasil, tentou ser esperto e ganhar alguns segundos preciosos retardando uma cobrança de falta. O árbitro paulista Marcelo Aparecido não se fez de desentendido e expulsou o jogador. Mas já não havia tempo para mais nada. Perto dos 51 minutos de jogo, o juiz ergueu o braço e encerrou a partida. Era chegada a tão esperada hora do Xavante comemorar o retorno à segunda divisão nacional, competição que não frequentava desde 2000. #Entretenimento #Futebol