Antes soberana nas transmissões de futebol no Brasil, a Rede Globo deve ganhar adversários de peso nos próximos anos. Grandes corporações da #Internet, como o Google, o Facebook e o Netflix, estão voltando as atenções para o mercado multimilionário do esporte e podem entrar de vez na briga pelos direitos de transmissão das partidas de #Futebol.

O crescimento dos serviços de streaming, como o Netflix, além dos novos acordos do Youtube e do Facebook com eventos esportivos, revelam a nova tendência.  

O antigo modelo de exclusividade da televisão e, no caso brasileiro, o domínio da Rede Globo - dona dos direitos sobre a Seleção Brasileira e dos principais campeonatos do país - está com os dias contados.

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A saída de Marcelo Campos Pinto do comando das negociações sobre direitos de transmissão do futebol surpreendeu clubes, federações e dirigentes no Brasil. Ele era o homem mais poderoso do futebol nacional nesta questão há quase uma década. Era praticamente a voz da Globo nos #Negócios do futebol.

O comunicado enviado aos diretores da Rede Globo, assinado por Roberto Irineu Marinho, justifica o afastamento de Campos por aposentadoria e agradece pelos serviços prestados. Na prática, porém, não é bem assim. A Globo já havia determinado, no ano passado, o fim dos repasses antecipados de valores aos clubes e a tentava, sem sucesso, de estender os contratos de transmissão do Campeonato Brasileiro, que se encerram em 2018. Esta troca de comando é mais um sinal de mudança da estratégia da emissora carioca, antevendo um novo cenário.

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Neste ano, o Youtube fechou contrato para a transmissão da Copa do Rei espanhola para 17 países. O alcance do acordo pode atingir 2 bilhões de espectadores, que pagarão, na Europa, € 5 por partida ou € 20 pelo torneio inteiro. No mês passado, o Facebook criou um canal para conteúdos exclusivos da Fórmula E (categoria gerida pela FIA, com carros elétricos e cujo campeão da primeira temporada foi o brasileiro Nelsinho Piquet).

O mercado de streaming no Brasil está em franco crescimento, e o maior exemplo disso é o Netflix. Nos primeiros nove meses do ano passado, o serviço teve um aumento de quase 70% e, em fevereiro deste ano, já registrava mais de 2,2 milhões de assinantes. O Youtube inaugurou um novo serviço nos Estados Unidos chamado 'Youtube Red', versão paga e com conteúdo exclusivo. Não é difícil imaginar que estas empresas entrem forte na disputa pelo futebol, que movimenta anualmente aproximadamente R$ 600 bilhões no mundo. 

Some-se a esta nova realidade a vontade dos clubes brasileiros em tomar nas próprias mãos a organização de campeonatos (como a novíssima Liga Sul-Minas), negociando por conta própria os direitos de transmissão (implodindo intermediários como o Clube dos 13) e os cuidados com as próprias marcas, produtos licenciados e programas de sócios. O próximo passo será negociar com os gigantes estrangeiros da internet para multiplicar os ganhos e alcançar cada vez mais público.