Caso lhe fosse dada a missão de escrever um filme esportivo recheado de emoção, nem mesmo o mais criativo roteirista conseguiria chegar próximo ao que ocorreu no dia 26 de novembro de 2005, uma tarde abafada no Recife, onde Náutico e #Grêmio se encontraram para decidir quem subiria à Série A do #Futebol brasileiro do ano seguinte.

Com somente sete jogadores em campo e dois pênaltis evitados, o time gaúcho viveu uma epopeia e saiu vitorioso da eterna 'Batalha dos Aflitos'.

A chegada da delegação gremista ao estádio dos Aflitos já era um prenúncio da guerra que estava por vir. Assim que se defrontaram com o ônibus do time rival, os exaltados torcedores do Náutico ensaiaram os primeiros gritos de guerra, que se elevariam durante os 90 minutos.

Publicidade
Publicidade

Com 'sangue nos olhos', o capitão gremista Sandro Goiano berrava de dentro do veículo: "Hoje é guerra! E quem não quiser guerrear pode descer aqui mesmo!".

No vestiário do visitante, o clima hostil era composto por um cheiro forte de tinta, óleo e solvente e também pela truculência dos policiais, que, por algum motivo que até hoje não se sabe, impediram o aquecimento dos gremistas dentro do gramado. E, quando a bola rolou, não demorou muito para as dificuldades gaúchas aparecerem. O goleiro Galatto, que mais tarde viria a ser um dos heróis, tomou uma pancada na perna logo aos 5 minutos e só não pediu para sair por se tratar de uma decisão.

Antes do fim da primeira etapa, Domingos fez pênalti no atacante Paulo Ramos e ali poderia ter início o calvário gremista. Contudo, o lateral Bruno Carvalho atingiu o poste e perdeu a chance de colocar os mandantes na frente.

Publicidade

Com o gremista Escalona expulso, o Náutico fazia da vantagem numérica uma enorme aliada na buscada desenfreada pelo gol da classificação. Já na metade do segundo tempo, o Grêmio de Mano Menezes já se satisfazia com o 0x0, mas...

Djalma Beltrami, árbitro da partida, viu e marcou um outro pênalti para o Náutico, dando início a uma histórica confusão que durou 23 minutos e rendeu três expulsos ao time gaúcho, além de uma incursão desastrada da polícia militar, violenta no seu modo de agir. Com Escalona já fora, Mano Menezes via o seu time ficar sem Patrício, Domingos e Nunes, todos expulsos no tumulto. Como se não bastasse, ainda havia um pênalti a ser cobrado. É, acabava o sonho gremista.

Negativo. Quando se trata de Grêmio, não se pode desacreditar nem na mais árdua dificuldade. Galatto, com os joelhos, defendeu a cobrança. E o menino Anderson, 71 segundos depois, em uma arrancada inesquecível, marcou o gol da vitória heroica gremista, em um resultado eternizado na chamada 'Batalha dos Aflitos', que completa 10 anos e rememora uma das páginas mais bonitas da #História do Grêmio.

Relembre os melhores momentos da partida: