Terminou no último dia 31,  os primeiros #Jogos mundiais disputados exclusivamente pela raça indígena. Cerca de 25 etnias nacionais e de tribos de 22 países das Américas, Ásia, Europa e Nova Zelândia participaram do evento ocorrido em Palmas, Tocantins.

Foram nove dias de práticas esportivas, em um evento que abraçou outros tipos de atividades, como: venda de artesanato, promoção de cursos, debates sobre meio ambiente, rodas de diálogos, agricultura familiar indígena e educação.

Sob o lema: “O importante não é competir e sim celebrar”, todas as etnias mostraram um espírito de união e congraçamento, cada um usando suas vestimentas características e exibindo sua própria cultura. A cerimônia encerrou com uma cascata de fogos em pleno céu de Palmas e os próximos jogos mundiais estão marcados para acontecer em 2017, no Canadá.

Publicidade
Publicidade

O comparecimento do público superou as expectativas dos organizadores, com a presença total de pouco mais de 104 mil pessoas. Um fluxo médio de 13 mil a 14 mil por dia. O evento contou com a atenção da imprensa internacional: em torno de 300 jornalistas credenciados vindos de lugares como: França, México, Itália, China, Estados Unidos, Japão e Inglaterra filmaram, fotografaram e acompanharam o andamento dos jogos.

Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, orgulha-se da missão cumprida: “Os Jogos atenderam totalmente as nossas expectativas como indígena. Nós deixamos um grande legado patrimonial, cultural e desportivo para a cidade de Palmas. Além dos recursos econômicos trazidos pelos estrangeiros durante os nove dias em Palmas e a geração de empregos na cidade”, diz.

Publicidade

COMO FOI ESTRUTURADO?

Ao contrário das Olimpíadas, os Jogos Indígenas não têm o caráter de competição e são encarados como competições de natureza integrativa. Alguns dos esportes foram apresentados como demonstração, pois a prática de um esporte pode ser pertencente àquela etnia ou que haja variações de um mesmo esporte entre diversas etnias.

Por sua vez, os esportes denominados de integração contavam com fase eliminatória e finais e possuíam com um sistema peculiar de premiação. Os quatro melhores recebiam o mesmo prêmio. Diferente da distinção concedida aos três melhores com as medalhas de ouro, prata e bronze. Não faltaram exemplos de esportes de integração: canoagem, arco e flecha, natação, corrida com tora, cabo de força e arremesso de lança. Curiosa é a disputa da corrida de 100 metros, onde todos deviam correr descalços.

Hector Franco, secretário extraordinário para os Jogos Mundiais Indígenas, disse que “o esporte, para o indígena, está muito mais integrado ao seu dia a dia.

Publicidade

A flecha serve para que ele cace seu alimento. Ele nada no rio para buscar o que comer e utiliza a lança como instrumento de defesa. O esporte vai desde sua sobrevivência até a dimensão espiritual e ritualística”.

A única semelhança entre os Jogos Indígenas e as Olimpíadas dos brancos é a prática, por parte dos índios, do futebol. As regras são idênticas. No entanto, a duração da partida dos índios é menor: são 30 minutos com dois tempos de 15 minutos e intervalo de 10 minutos. #Futebol