O que era para ser apenas mais um treino de recreação entre os convocados pela #Seleção Brasileira à Copa de 2002 terminou em preocupação quando Emerson tombou no gramado. Atuando como goleiro no rachão, o volante imediatamente levou as mãos ao ombro e acusou fortes dores. Mais tarde, seria cortado do Mundial da Coreia e do Japão. Era a última chance de Alex.

Antes disso, Luiz Felipe Scolari, antigo parceiro de Alex no comando do Palmeiras campeão da América em 1999, deixou de fora o seu ex-camisa 10 na convocação oficial do Brasil para a Copa. Optou por dar uma chance ao jovem Kaká, que apenas surgia para o mundo da bola no São Paulo.

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Sem Emerson, cortado, Felipão poderia chamar um outro jogador. Escolheu Ricardinho, meia do Corinthians. Alex, oficialmente, estava fora da Copa do Mundo de 2002.

Sentiu-se injustiçado. Entendia que estava entre os 23 melhores jogadores brasileiros da atualidade e que por isso deveria estar na Ásia entre junho e julho de 2002. Mas o destino, e Felipão, fizeram com que Alex permanecesse no Brasil neste mesmo período. Com um detalhe: ficaria em casa, mas Copa do Mundo passava a ser um assunto proibido.

“Para sair daquela realidade, fiquei numa onda comer o tempo todo. Metia vários pacotes de pipoca no cinema. Em casa, sorvete atrás de sorvete. Ia a churrasco toda hora. Não curtia beber, mas passei a tomar vinho e cerveja. Foram 50 dias de loucura. As partidas da Copa da Ásia eram de madrugada e eu estava bêbado ou dormindo”, admite Alex, em sua biografia lançada no final de 2015.

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Polêmicas como pano de fundo

Alex se despiu completamente ao contar a sua vida na mais nova biografia assinada por Marcos Eduardo Neves. Em uma das passagens mais polêmicas do livro, ele relembra um outro episódio vivido com o técnico Luiz Felipe Scolari, seu algoz na ausência da Copa de 2002.

Em um dos seus primeiros clássicos com a camisa do Palmeiras, que o contratou junto ao Coritiba no meio de 1997, o meia se envolveu em uma episódio inusitado em um duelo contra o Corinthians. Com o Timão vencendo por 2x1 até o final, Alex recebeu uma bola dentro da área e se jogou. O árbitro deu o pênalti e Zinho converteu, igualando o placar minutos antes do fim do jogo.

Na saída ao vestiário, os repórteres vieram direto em Alex. Perguntaram, de pronto, se havia sido pênalti. Em uma sinceridade incomum no meio do #Futebol, ele disse: “Ele deu, mas não foi, não. O zagueiro tocou na bola”. Dias depois, na Academia de Futebol do Palmeiras, Felipão o chamou para uma conversa reservada.

“Cheguei para treinar uns dias depois e o Felipe me chamou: “Olha, muita honestidade não vai te levar a lugar algum”.

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Ouvi. Permaneci preocupado um bom tempo, em dúvida se teria algum tipo de retaliação contra mim”, explicou Alex.

Em 238 páginas de tirar o fôlego, Alex e Marcos Eduardo Neves vão desde a infância pobre no interior de Coritiba às primeiras belas atuações no futebol de salão; o início no Coritiba e a geração dourada no Palmeiras; a frustração por não ir à Copa e o ano mágico pelo Cruzeiro em 2003; a redenção no Fenerbahçe, da Turquia, com direito a estátua e os dias finas da carreira na sua primeira casa. Imperdível história para quem gosta do futebol brasileiro e para quem admira quem usa o talento, e somente ele, para vencer na vida. #Livros