Porto Alegre amanheceu ensolarada naquela manhã de domingo, dia 17 de dezembro de 2006. Aos poucos, os colorados iam se aglomerando no Parque Moinhos de Vento, o Parcão, para acompanharem juntos a final do Mundial de Clubes da Fifa. No telão, o Inter tentaria medir forças contra o poderoso Barcelona, embalado pelo auge de Ronaldinho Gaúcho. Não havia muito vento na capital gaúcha, mas, se houvesse, certamente seria um sopro de esperança vindo diretamente de Yokohama.

No frio do Japão, o Inter chegava desacreditado para a decisão - como certamente qualquer outra equipe sul-americana chegaria diante do Barcelona em seus primeiros anos de hegemonia.

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Nas entrevistas prévias do jogo, alguns jogadores da equipe catalã chegaram a afirmar que "jogariam o suficiente para ganhar do Inter". Não que fosse explícito, mas estava nítido que os espanhóis estavam mais tranquilos do que deveriam.

Também pudera. Dias antes, na semifinal do torneio diante do América do México, o Barça aplicou 4x0 em ritmo de treino. Por outro lado, o Inter teve imensas dificuldades para vencer o desconhecido Al Ahly e só foi marcar o gol da vitória por 2x1 já perto do final do jogo. Na entrada em campo na grande final, apenas o menino Alexandre Pato sorriu e trocou algumas palavras com o ídolo Ronaldinho Gaúcho, a quem até então só conhecia por videogame. Todos os demais colorados estavam sérios, compenetrados e determinados: sequer olharam para os adversários.

Hora de virar Internacional

Era guerra.

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Mais do que isso: era a chance do Inter vencer pela primeira vez o Mundial e assim se igualar ao maior rival, Grêmio, que venceu a disputa em 1983. O início do jogo foi um misto de estudo mútuo e apreensão: se de um lado os brasileiros marcavam com afinco cada milímetro do campo e aparentavam um justificado nervosismo, do outro o favoritíssimo Barcelona começava a demonstrar impaciência ao não conseguir encontrar os espaços que normalmente encontrava.

As chances de gol foram escassas na primeira etapa. O Barcelona assustou em uma falta de Ronaldinho cobrada por baixo e em uma pancada de Van Bronckhorst espalmada por Clemer, enquanto o Inter pouco se aventurou e teve no chute alto de Índio seu raro momento de ataque. A estratégia de Abel Braga estava cristalina com o desenrolar do primeiro tempo. Marcar, marcar e marcar. Depois de anular, aí sim, quem sabe, especular alguma coisa lá na frente.

Mudando para vencer

No segundo tempo, com o volante Vargas no lugar de Alex, o Inter ganhou ainda mais força no meio campo e começou a incomodar mais vezes dentro da intermediária rival.

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Próximo aos 20 minutos, o ídolo e capitão Fernandão acusou câimbras e teve que ser substituído por Adriano Gabiru, que esteve perto de deixar o clube durante a temporada, já que não agradava à torcida. E se no início era uma exclusividade apenas dos brasileiros, naquele instante o nervosismo e a tensão já eram propriedades também dos espanhóis. O jogo já passava dos trinta do segundo tempo.

Aos 36, Índio, de nariz quebrado, rifou uma bola da defesa ao meio campo. Após um desvio no meio do caminho, Luiz Adriano escorou para Iarley, que deixou Puyol a ver navios. Em um lance de rara inteligência, o atacante esperou o tempo correto para servir Adriano Gabiru, o contestado, o odiado, que só teve o trabalho de desviar de Victor Valdés. Sim, 1x0 para o Inter, que naquele momento só precisou esperar mais alguns minutos para tirar o grito de campeão da garganta e cravar a sua bandeira vermelha no topo do mundo.

Relembre os melhores momentos do jogo:

#Futebol #Sport Club Internacional #FC Barcelona