Não teve para Messi e muito menos para Florenzi: o prêmio Puskás de gol mais bonito da temporada 2015 é de Wendell Lira. De Goiânia para o Mundo, assim pode-se colocar a trajetória de um atleta que iniciou a sua carreira no Goiás, em 2006, e que teve passagens pelas categorias de base da Seleção Brasileira, que um dia flertou com o Milan, mas que perdeu o bonde que certamente daria outro rumo a sua história.

Porém, a vida é uma roda gigante feita de ciclos altamente mutáveis, que se um dia te joga para baixo, na mesma proporção pode te alçar a voos jamais imaginados. O segredo é a perseverança. Assim é a história de Wendell Lira, um de tantos atletas brasileiros que sente na pele as dificuldades da profissão de jogador de #Futebol.

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Wendell integra uma dura estatística de não ter tido estabilidade profissional. Situação rotineira do futebol brasileiro sem luxo. Aos 27 anos recém completos no último dia 07 de janeiro; o atleta chegou a ser uma promessa da base do Goiás, mas a má gestão dos clubes, e o sucateamento das categorias inferiores, fizeram com que o jogador não conseguisse se firmar em nenhum dos 11 clubes por onde passou.

Mas tudo começaria a mudar a partir do dia 11 de março de 2015. Em partida válida pelo Campeonato Goiano, Wendell Lira assinalou uma verdadeira obra de arte. Aos 27 minutos dos primeiro tempo, o então jogador do Goianésia recebeu uma assistência por elevação pelo lado direito da grande área e mandou uma bicicleta giratória, marcando um golaço. O experiente goleiro Márcio, do Atlético-GO, saiu desesperado para tentar fechar o ângulo do atleta, mas não teve tempo de executar qualquer tipo de defesa.

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O gol teve repercussão na mídia local, mas nada que pudesse inclusive, garantir o emprego de Wendell Lira no Goianésia. O jogador acabou dispensado. Ainda em 2015, o atacante teve uma rápida passagem pelo Tombense-MG, até amargar três meses de desemprego.

Período complicado, mas com a surpresa de ser indicado ao prêmio Puskas. Situação completamente contraditória, digna de Brasil. Wendell Lira era um desempregado concorrendo ao gol do ano. Um tapa na cara da incompetência dos dirigentes do futebol brasileiro.

Daí em diante as coisas começaram a mudar. Wendell acertou contrato com o Vila Nova e ganhou o apoio do fortíssimo público da internet brasileira. Da indicação inicial a final do prêmio Puskas, do anonimato ao reconhecimento, assim Lira chegou a Zurique. O ápice de toda a história foi quando Nakata fez a divulgação de que o brasileiro era o vencedor, desbancando nada menos que Messi e Florenzi. No discurso teve choro e uma lição de humildade.

Quando parecia estagnada, a vida de Wendell Lira foi de 0 a 100 em pouco tempo.

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Aquele bonde que havia passado e ele não pôde pular para dentro, desta vez, não só passou, como parou para o mesmo entrar. É uma onda de esperança. E esse bonde se chama 'povo brasileiro', que mostrou força, votou em peso e carregou este humilde atleta para um momento histórico. #Futebol Internacional #Lionel Messi