Ainda não era nem 30 minutos do primeiro tempo da partida entre Atlético Goianiense e Goianésia, no Serra Dourada, pelo Campeonato Goiano de 2015. Wendell Lira, ex-promessa do Goiás, iniciou uma triangulação que poderia não dar em nada já que a defesa dos mandantes estava bem postada. Poderia. De costas e em velocidade dentro da grande área, ele recebeu uma bola por elevação e deu uma meia bicicleta para estufar as redes de Márcio. Não foi um simples gol do Goianésia. Foi o gol mais bonito de 2015, reconhecido pelo Prêmio Puskas da Fifa, desbancando Messi, que ficou em segundo.

O gol serviu para recolocar Wendell de novo em evidência no meio de #Futebol.

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Nascido em Goiânia, o atacante é mais um entre tantos jovens brasileiros humildes que depositam na bola a esperança por dias melhores. No caso dele, havia justificativa. Talento nunca lhe faltou. Em 2002, chegou nas categorias de base do Goiás, clube em que, mais tarde, viria a se profissionalizar e virar cobiça de gigantes europeus.

Ágil, driblador e com bom poder de finalização, Wendell Lira foi um dos destaques da Seleção Brasileira sub-20, que disputou a Copa Sendai, do Japão, em 2006. Na volta ao Goiás, foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro sub-20, tendo anotado um total de 7 gols. O garoto estava pronto para brilhar entre os grandes. Da Itália, o assédio tomava forma. Interessado em contar com o atacante, o Milan preparou uma oferta de R$ 6 milhões. Acreditando que receberia bem mais no futuro, o Goiás rejeitou.

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Para o seu lugar, os italianos buscaram Alexandre Pato, parceiro de Wendell na Seleção.

Lesões e volta por cima

Nem Milan, nem Seleção e nem mesmo Goiás. Já em 2007, o atacante teve a primeira de duas sérias lesões no joelho e teve que ficar longe dos gramados por mais de 10 meses. O pesadelo começava. Foram várias tentativas de retorno, e todas elas prejudicadas pelas sucessivas lesões musculares. Em 2010, esteve emprestado ao Fortaleza e uma nova ruptura ligamentar no joelho abreviou a sua temporada.

De lá para cá, Wendell viu sua carreira se misturar com a de milhares e milhares de outros jogadores brasileiros que, sem destaque em um grande clube da Série A, perambulam por clubes pequenos, com estruturas pífias e salários incertos. Mas o destino ainda lhe reservaria uma bondosa peça. No dia 11 de março de 2015, o que era para ser apenas mais um jogo normal pelo Campeonato Goiano mudou, outra vez, a vida do atacante. Sua meia bicicleta, que abriu o placar para a vitória do Goianésia por 2x1, foi parar na Suíça, nos telões da cerimônia da Fifa, na última segunda-feira (11).

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Por 46,7% dos votos (1,6 milhão), o gol de Wendell Lira, que hoje joga no Vila Nova, desbancou Messi, do Barcelona, e Florenzi, do Roma, sendo considerado o gol mais bonito de 2015. Emocionado, o brasileiro ganhador do Prêmio Puskas resumiu o seu sentimento após o anúncio citando a disputa desigual entre Davi e Golias, adaptando-a à sua realidade. Se Davi mostrou que é possível desbancar os mais fortes, Wendell demonstrou que humildade e talento andam juntos em busca dos sonhos. #Entretenimento #História