Não há como competir. Em um mercado cada vez mais aquecido e em expansão, o #Futebol chinês apenas abre o mapa do Brasil, escolhe o alvo e desce a carga. Dificilmente sai de mãos abanando. Com ofertas que podem chegar até R$ 2 milhões de salário por mês, os clubes do país asiático têm protagonizado uma verdadeira debandada do futebol brasileiro, tendo o #Corinthians, campeão nacional, como a principal vítima.

O fenômeno não é de agora. Já no final da temporada de 2014, o futebol brasileiro viu dois dos seus principais destaques rumarem para a #China seduzidos pelas pomposas cifras. Nem mesmo a presença na Seleção Brasileira e a possibilidade de jogar em uma liga mais competitiva demoveram Diego Tardelli e Ricardo Goulart, destaques de Atlético-MG e Cruzeiro, respectivamente, da ideia de jogarem do outro lado do mundo.

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Robinho é outro que rumou no mesmo barco. Atualmente, defende o Guangzhou Evergrande, mesmo time de Goulart, e comandado por Felipão.

Na atual janela de transferências, ninguém sofreu mais que o Corinthians, que perdeu toda a espinha dorsal formada durante a incrível campanha no último Campeonato Brasileiro. O primeiro a sair foi Jadson, que se acertou com o Tianjin Quanjin, time da segunda divisão chinesa comandado por Vanderlei Luxemburgo, que também levou o centroavante Luís Fabiano. Depois, Renato Augusto (eleito o craque do Brasileirão) e Ralf fizeram as malas e fecharam com o Beijin Guoan. Elias ainda negocia a sua ida para a China.

Segundo o próprio presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, o desmanche é completamente independente da vontade do clube paulista - e seria da mesma forma com qualquer outro time brasileiro.

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Em outras palavras, as equipes do Brasil não estão preparadas para se defender do assédio chinês. Os dirigentes de lá entram em contato diretamente com os jogadores, oferecem valores astronômicos e os clubes já não têm mais o que fazer. O termo do momento é "proposta irrecusável".

"Nós não conseguimos apresentar defesa nenhuma. Não existe. Eles se acertam com os jogadores, apresentam valores fora da realidade e nós só ficamos sabendo pouco tempo antes dos atletas nos comunicarem. Se essa for a metodologia de negócio, podemos perder cinco, seis ou sete, não tem como competir", resumiu Andrade.

Mas por que a China?

Fatores sociais e políticos ajudam a explicar os motivos do país que sempre cultivou outros esportes, como o tênis de mesa e badminton, migrou e passou a ter um interesse súbito por futebol. Com a segunda maior economia do mundo, calculada em um PIB de US$ 4 trilhões, a China quer expandir o seu poder em outras áreas e vê no futebol a possibilidade de girar o consumo, lotar estádios e implementar uma nova cultura, popular no mundo todo, à sua população de mais de 1 bilhão de pessoas.

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Além disso, Xi Jinping, presidente do país asiático, é um legítimo apaixonado por futebol e é o grande avalista da impulsão da modalidade na China. Com o crescimento econômico do país, as grandes empresas privadas puderam comprar e comandar os grandes clubes, e com o seu imenso capital buscam os melhores jogadores da liga brasileira, por exemplo. Mesmo os craques da Europa viraram objetos de desejo dos chineses. O holandês Arjen Robben, do Bayern de Munique, já foi tentado.

O Guangzhou Evergrande, campeão asiático e semifinalista do Mundial de Clubes ante o Barcelona, é de propriedade da Evergrande Real State Group, gigante da construção civil. O panorama se mantém na maioria dos outros clubes, geridos por enormes empresas capazes de realizar negócios em um piscar de olhos. Pobre do Brasil, ainda distante de poder competir com os negócios da China.