A rivalidade entre #Palmeiras e #Corinthians completará um século de existência em 2017. Mas o que iniciou essa rixa? O historiador Marco Aurélio Duque de Lourenço, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, estudou o assunto. E descobriu que as diferenças sociais dos torcedores, a aquisição dos estádios, e a própria história do futebol brasileiro estão entre as causas.

O futebol foi, no início, um esporte de elite, praticado de maneira amadora - sem remuneração aos jogadores. Entre os anos de 1917 a 1933, o esporte passava por uma fase de transição de amador para profissional. A clássica rivalidade surge - e vai se acirrando- durante essa fase.

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O primeiro jogo entre os dois times ocorreu em 1917. A partida, de pontos corridos, definiria o rival do Paulistano no Campeonato Paulista. Nessa época, o Paulistano, o Corinthians e o Palmeiras, que se chamava Palestra Itália, formavam o trio de ferro do futebol de São Paulo, e costumavam disputar os títulos. "O Paulistano era o time a ser batido por Palestra e Corinthians, pois era um time tradicional", explica Marco Lourenço.

Mas, segundo o historiador, havia também a questão da profissionalização. Time da elite, o Paulistano queria impedir a ascensão de times populares, como o Palestra e o Corinthians. Para isso, defendia que o futebol continuasse amador, e acusava Palestra e Corinthians de, ao oferecerem salários, "seduzirem" jogadores para seus times. "Entretanto, o Paulistano pagava seus jogadores às escondidas", acrescenta Lourenço.

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E o placar final desse primeiro jogo, 3x0 para o Palestra, embora o Corinthians viesse de uma série de vitórias seguidas, foi o pontapé inicial da rixa.

Devido a problemas financeiros, o Paulistano retirou-se oficialmente dos campeonatos em 1929. Palestra e Corinthians se tornaram então os principais times da Liga Paulista de Futebol (LPF) e, de acordo com Lourenço, "os jogos passaram a atrair cada vez mais público e a atenção da imprensa, e a rivalidade deslanchou."

Até a aquisição dos estádios contribuiu para a rixa, mas por questões simbólicas. Os clubes se fixaram em regiões próximas ao Rio Tietê, "em condições diferentes", ressalta Lourenço. O Palestra comprou o principal estádio da época, o Parque Antarctica, na Pompeia. Reduto da comunidade italiana de São Paulo, era uma região que se modernizava, com habitantes em ascensão social.

Do outro lado, próximo à Ponte das Bandeiras, o Corinthians comprou o Estádio da Ponte Grande - que era não mais do que um terreno localizado numa região cujo valor imobiliário decaía com a poluição do rio.

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Habitada pela população mais carente da cidade, esta logo associou o Corinthians com o "time do povo."

Hoje em dia, Lourenço acredita que as diferenças sociais já não contam, e que "a rivalidade existe, mas está atenuada." As brigas de torcida ocorrem, segundo ele, devido à "lógica própria que habita dentro das organizadas". Seriam, portanto, "disputas entre as uniformizadas, e não uma questão geral". #Campeonato Brasileiro