Ela é uma das grandes favoritas na prova dos 800m nas olimpíadas do Rio de Janeiro. A sul-africana Caster Semenya foi obrigada a superar bem mais do que apenas duas voltas na pista de atletismo. A jovem já passou mais de um ano impedida de participar das competições 'tentando provar que é uma mulher'. Semenya ganhou a medalha de prata nos jogos olímpicos de 2012, em Londres, passou por diversas dificuldades como, troca de técnico e lesões. Mas agora tudo isso ficou no passado, sua boa fase está de volta. Ela garante.

A velocista conseguiu as melhores marcas nos 800m este ano. Saiu vitoriosa na etapa de Doha da Diamond League, fazendo 1min58s26, no final de maio.

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No mês anterior em Stellenbosch, África do Sul, ela tinha conseguido a marca de 1min58s45. Nesse mesmo dia, já havia ganhado duas provas de 400m e 1.500m, pelo campeonato nacional.

A atleta quer de volta o lugar mais alto, o seu lugar no pódio e, para isso, mostra resultados sólidos nas competições, de olho no ouro das olimpíadas do rio. Em 2009 a sul-africana foi campeã dos 800m em apenas 1min55s45, vencendo facilmente e deixando para trás as rivais assombradas com a garota de dezoito anos.

Obstáculos reais começaram a surgir para Semenya logo depois dessa prova. Ela viu-se obrigada a passar por diversos testes e exames de gênero que mostraram elevados níveis de testosterona em seu corpo. Uma exigência da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) que desconfiava de sua sexualidade. Com os resultados dos exames em mãos Semenya provou ao mundo que sofre de uma 'deficiência crossomática', resultando em uma quantidade maior de testosterona e falta de 'útero e ovários'.

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Informações sobre esse caso foram passadas por jornais do Canadá e França, já que a IAAF mantém o resultado dos exames em sigilo.

Em entrevista à BBC a atleta desabafou, "se não fosse pela minha família, acho que não teria sobrevivido". Semenya conta que era só uma menina de dezoito anos quando se viu em meio a dúvidas sobre sua sexualidade. Por ter a voz muito grossa dirigentes sul-africanos sugeriram que ela evitasse dar entrevistas, segundo o Le Monde. Mas depois de tantos transtornos ela se preparou e está de volta, pronta para a medalha de de ouro. #Opinião #Rio2016