O ex-dirigente da Agência Mundial Antidoping (WADA, em inglês), Dick Pound, declarou que será muito difícil confiar nos resultados obtidos pelos atletas russos durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que ocorrerão em agosto.

Esta é a mesma opinião de Paula Radcliffe, a atual detentora do recorde mundial de maratona feminina, e um dos maiores ícones esportistas do Reino Unido. Ambos desconfiam das alegações da comitiva russa de que todos os seus problemas com doping estejam resolvidos, devido a um escândalo de grandes proporções que ocorreu em solo russo.

Escândalo de doping

De acordo com uma denúncia feita em dezembro de 2014 pela rede de TV alemã ARD, nas Olimpíadas de Inverno que ocorreram em Sochi, na Rússia, naquele mesmo ano, agentes da FSB (polícia secreta daquele país, derivada da extinta KGB) trabalharam infiltrados no laboratório que fazia os testes antidoping, descartando amostras que resultavam em detecção positiva no uso indevido de substâncias ilegais, em casos que envolviam especificamente atletas russos.

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Depois da divulgação do caso pela rede de notícias ARD, o diretor do laboratório antidoping de Moscou, Grigory Rodchenkov, destruiu 1.417 amostras suspeitas para tentar escapar do controle da WADA.

Na época do ocorrido, Dick Pound era o diretor da Agência Mundial Antidoping, e solicitou, em um relatório, a suspensão imediata do atletismo russo junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e à Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

Reestruturação

Depois deste episódio, uma força-tarefa criada pela WADA foi enviada para realizar uma revisão no sistema antidoping da Rússia, em uma tentativa de trazer o país de volta à legalidade antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A decisão sobre o seu regresso ou não será feita pela IAAF, em uma reunião do seu conselho composto por 27 membros que ocorrerá em Viena, na Áustria, no dia 17 de Junho.

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Mas Pound continua cético, e acredita que o país não tenha agido com rapidez suficiente para corrigir seus problemas. Ele declarou: "Se eu fosse presidente do COI, e nós (do comitê) deixássemos os russos voltarem, deveríamos estar absolutamente certos de que cada atleta russo não está dopado e que tudo mudou. Eu acho que é muito difícil afirmar isso". #Rio2016