Em nenhuma outra modalidade olímpica o equipamento pode ser tão fundamental na disputa por medalhas quanto no ciclismo de pista. Já vão longe os tempos em que as bicicletas eram todas parecidas - um punhado de tubos de aço soldados, que ganhavam rodas e pedais.

Nos #Jogos de Barcelona, em 1992, o inglês Chris Boardman contou com a ajuda da Lotus, que projetou um modelo especial em fibra de carbono e desenho revolucionário, para ficar com o ouro na perseguição individual de 4 km. Desde então, as regras ficaram mais rígidas, até mesmo para frear os gastos astronômicos, mas a criatividade e o trabalho dos projetistas e das fábricas seguem em alta.

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Duas das principais potências do esporte revelaram as máquinas que usarão no velódromo olímpico do Rio.

Sem um time masculino competitivo, os Estados Unidos apostam todas as suas fichas no quarteto feminino para a prova de perseguição por equipes - em Londres 2012, Sarah Hammer, Dotsie Bausch, Lauren Tamayo e Jennie Reed conquistaram uma prata inédita para o país. O objetivo agora não poderia ser outro senão o degrau que falta no pódio, e, para isso, a fabricante Felt não mediu esforços para desenvolver uma bicicleta à altura. A TA FRD (sigla de Track Aero Felt Racing Development) é o fruto de incontáveis horas de ensaios no túnel de vento, analisando as formas do quadro, que provocassem a menor resistência à passagem do ar e proporcionassem a pedalada mais eficiente de acordo com as características de cada atleta.

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E se o desenho da bike deixa clara essa preocupação, a grande novidade da TA FRD salta aos olhos. Ela é a primeira na história a contar com o sistema (pinhão, corrente e catraca) de propulsão do lado esquerdo. Uma constatação lógica, que faz perguntar como ninguém pensou na solução antes. Como as curvas são todas à esquerda, o centro de gravidade da bicicleta, além de abaixar, se move para o sentido da pista oval, o que será de grande ajuda para as ciclistas. "O objetivo estava sempre claro, e é o ouro no Rio. A questão era: como criar uma bicicleta ainda mais eficiente em relação ao que já tínhamos? A resposta está aí", explica Jim Felt, fundador da marca que leva seu sobrenome.

Considerada a principal potência do ciclismo de pista (seu quarteto feminino venceu as norte-americanas em casa, há quatro anos), a Grã-Bretanha não ficou atrás. O desenvolvimento de seu mais novo modelo foi comandado por Tony Purnell, ex-dirigente da equipe Jaguar de Fórmula 1 e contou com a ajuda do departamento de pesquisa e inovação do Instituto Nacional do Esporte (EIS).

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Como os EUA, os britânicos também abusaram do túnel de vento, das simulações e ensaios por computador e de um trabalho personalizado com os ciclistas, para chegar à T5GB, que, curiosamente, saiu das telas para a realidade graças a uma empresa canadense, a Cervélo, algo permitido pelo regulamento da União Ciclística Internacional (UCI).

"Temos os melhores atletas do mundo na disciplina, e precisávamos de um equipamento à altura, já que cada detalhe conta. Acredito que conseguimos", explica Purnell. Agora é saber quem leva a melhor nesse desafio nos Jogos Olímpicos. #Rio2016