Apesar de o bilionário empresário estadunidense, hoje candidato à presidência dos Estados Unidos da América, #Donald Trump, pretender comprar times de futebol, como o argentino San Lorenzo, ele não negaria detestar o esporte, além de considerá-lo “antiamericano”.

Ele não o diria por si. Toda a ala da extrema direita do país partilharia da mesma sensação terrível diante do futebol. Não à toa, reconheça-se. Avesso diametral do futebol americano e do rugby, por exemplo, em que a disputa incide muito mais pelo território do que pela bola (os campos como réguas delimitados por jardas, nos quais nem se avança, nem se recua impunemente), animados por um princípio empresarial produtivista, em que os setores de ataque e defesa são claramente demarcados, cada qual com sua função (inclusive prevendo substituição de um time inteiro quando de uma ou outra necessidade na partida), e sobretudo com resultados efetivos apresentados ao fim do suor derramado em 60 minutos, o futebol supõe a possibilidade (muitas vezes consumada) de concluir 90 minutos em 0 x 0, além de não necessariamente privilegiar o espírito de equipe em detrimento das genialidades individuais, nem distinguir taxativamente as funções de zagueiros, meio-campistas e atacantes (tanto mais a partir do Carrossel Holandês, cujo princípio exige que o goleiro seja o primeiro atacante do time e o centroavante, o primeiro defensor), tampouco se ocupe dos territórios senão dos espaços.

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Trump ainda ameaçou seus eleitores de os EUA tornarem-se uma Argentina, caso ele não seja eleito, bem como prometeu construir um muro entre seu país e o México, para impedir que latino-americanos, sem revista, cruzassem as fronteiras, acusando-os de não serem doces nem pequenas pessoas, conforme uma crença local, mas sim uns “completos assassinos”.

O canal argentino TyC Sports aproveitou-se dessas declarações para compor a propaganda da ida de sua seleção para a Copa América do Centenário, nos EUA, disparando imagens de Messi e Higuaín, de jogadas de infiltrações do time, além de torcedores invadindo em festa os estádios, ao som da campanha de Trump.

Os completos 'assassinos latino-americanos

Nesta terça (21), EUA e Argentina confrontaram-se pela semifinal da Copa América. Já aos 3 minutos do primeiro tempo, os argentinos cobraram curto o escanteio, privilegiando a posse de bola, com Messi distante.

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Quando ela chegou ao melhor jogador do mundo, Lavezzi disparou em um espaço que já se abria na grande área, Messi lançou-lhe uma bola altíssima, descrevendo uma parábola perfeita, que despencou na cabeça do centroavante, para abrir o placar.

Aos 32 minutos ainda da primeira etapa, Messi cobrou uma falta de longe e alçou a bola ao ângulo do canto que o próprio goleiro estadunidense guardava, como se a depositasse com as mãos. Não foi “La Pulga” quem chutou sozinho, mas toda a América Latina emplacou um dos mais primorosos gols de falta do futebol pelos pés dele.

Ainda houve tempo para mais dois belos gols, novamente com a colaboração de Messi, para assolar o império azul e vermelho e enviá-lo à decisão pelo terceiro lugar contra a Colômbia. Conforme a TyC previa: “La verdade: lo mejor que pueden hacer es no dejarnos entrar".

Em suma, parece horrorizar o conservadorismo estadunidense que o brilhantismo e a excentricidade de (latino-)americanos como Messi, Suárez e Neymar possam restar mais eficazes do que a força empresarial de uma equipe, para além de toda uma sorte de acasos, o poderia arruinar investimentos.

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O referido candidato à presidência, o trump ("coringa", em inglês), como descreveria Pink Floyd, parece uma boa piada, é quase um joker, mas, em verdade, é um lamento. Torcemos para que a disputa pelo terceiro lugar persista sem gols, até que os colombianos triunfem nas penalidades. Já os indóceis e grandiosos invasores argentinos, como na Copa América do ano passado, enfrentarão, novamente, os chilenos, em mais uma final promissora, mas desta vez com mais chances de se sagrarem campeões. #Lionel Messi #Eleições EUA 2016