Ele é um dos maiores nomes da história olímpica recente, com sete medalhas, seis delas de ouro, em quatro edições dos Jogos (Sydney’2000, Atenas’2004, Pequim’2008 e Londres’2012) no ciclismo de pista. Cumprido o objetivo de chegar ao alto do pódio competindo em casa e hoje um cavaleiro do Império Britânico, Chris Hoy vive agora a expectativa de estrear em outro monumento do esporte mundial.

Em comum com os tempos de ciclista, apenas as rodas. Nos dias 18 e 19, ele largará nas 24h de Le Mans, válidas pelo Mundial de Endurance da FIA. Vai dividir o comando de um protótipo Ligier-Nissan com o compatriota Michael Munemann e o francês Andrea Pizzitola, em busca não só de completar a maratona, mas de ajudar o trio a ficar entre os primeiros na categoria LMP2.

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E alcançará mais uma façanha, como o primeiro medalhista olímpico de ouro a disputar a tradicional prova francesa.

O salto dos cerca de 70km/h alcançados em seus sprints nas provas de Keirin e velocidade individual em velódromo para os mais de 260km/h das longas retas do traçado de Le Mans foi surpreendentemente rápido para quem nunca havia competido até 2014. Ainda ligado ao Comitê Olímpico Britânico como técnico e orientador, ele revelou o desejo de ser piloto à Nissan, parceira da instituição, e ganhou a primeira chance de testar um GT-R da categoria GT3. Daí à disputa do campeonato inglês de GTs, em 2014, foi um salto e Hoy, que completou 40 anos, se tornou um dos integrantes da academia de pilotos da montadora japonesa, ao lado de adolescentes e jovens saídos de competições em videogame (o programa de seleção é feito em parceria com a Sony e seu console Playstation).

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Já naquele ano, um pódio mostrou que o hoje Sir levava jeito para o novo esporte. Já então, Le Mans era o grande sonho.

O ano passado marcou o salto para a recém-criada categoria LMP3 de protótipos (modelos de entrada com cerca de 400cv) e a série European Le Mans. Com um Ginetta-Nissan e competindo ao lado de Charlie Robertson, conquistou o título e mostrou que merecia a chance de finalmente estrear nas 24h. A escolha recaiu na equipe anglo-portuguesa Algarve Pro Team. O Ligier LMP2 conta com 500cv e Hoy, além de manter um ritmo constante e veloz em turnos de pilotagem durante o dia e à noite, ainda terá de lidar, como retardatário, com os monstros da categoria LMP1 (os times oficiais de Porsche, Audi e Toyota), além de encarar o tráfego dos GTs, habitualmente mais lentos.

Nada que assuste quem tantas vezes encarou e superou os melhores do mundo no principal evento esportivo do planeta. No último fim de semana, Hoy participou dos treinos extra-oficiais de preparação em Le Mans, quando completou bem mais que o mínimo de 10 voltas exigido para que um novato se credencie para disputar as 24h.

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Foram 30 voltas, o equivalente a 400 quilômetros, e um discurso de veterano:

“O carro esteve perfeito e consegui evoluir como esperava. No início, o asfalto estava muito escorregadio, mas, ao longo do dia, foi sendo emborrachado e os tempos melhoraram bastante. Fiquei muito satisfeito com os meus e consegui ser mais rápido a cada passagem. É um circuito sensacional, fico feliz por finalmente poder acelerar aqui”, comentou Hoy, que evita fazer prognósticos. “Sei apenas que vou pilotar no limite das minhas capacidades, mas sem superá-lo, ou exigir mais do que a máquina pode proporcionar. Apenas sobreviver na prova durante as 24 horas já é algo muito difícil, e, por isso, não penso em resultados, mas em fazer a minha parte da melhor maneira. Se você começa a pensar em pódio, ou em vitória, se distrai do objetivo”, ensina o multicampeão.

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