Praticamente nenhum outro esporte depende tanto da tecnologia quanto o ciclismo, cujas bicicletas feitas de fibra de carbono podem custar mais do que um carro. Alterações nos equipamentos poderiam dar vantagem a um competidor desonesto, e autoridades que cuidam da modalidade estão atentas a fim de evitar trapaças nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

O problema no ciclismo, mais conhecido como doping mecânico, foi detectado no Campeonato Mundial de Ciclocross, que aconteceu em janeiro deste ano em Zolder, Bélgica, quando a atleta Femke Van den Driessche, de 19 anos, foi flagrada usando um pequeno motor escondido em sua bicicleta que a auxiliava nas pedaladas, fato que lhe dava uma vantagem mecânica e a fazia cansar menos durante a prova.

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No dia 26 de abril, Femke foi banida do esporte, sendo proibida de participar de qualquer competição até 10 de outubro de 2021, e teve todos os seus resultados desqualificados a partir de 11 de outubro de 2015.

Tão controverso quanto o doping biológico

Este foi o primeiro caso detectado de doping mecânico da história. No entanto, já existiam alegações não comprovadas de que atletas estariam trapaceando dessa forma. "Eu acho que quando esses rumores começaram a surgir, a maioria das pessoas normais pensou que era algo fantasioso, e que ninguém iria descer tão baixo para enganar desta forma", disse Brian Cookson, presidente da União Ciclística Internacional (UCI), completando: "Mas logo se tornou evidente que a tecnologia estava disponível".

Com o desenvolvimento de motores e baterias minúsculos, que podem ser escondidos em várias partes das bicicletas, a UCI precisou desenvolver testes para analisar os equipamentos nas principais competições, o que incluirá as Olimpíadas do Rio de Janeiro.

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O grupo irá trabalhar com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para testar as bikes que serão usadas nos Jogos do Rio. Ambos irão utilizar um software desenvolvido para iPads, que verifica a existência de campos magnéticos nas bicicletas, o que poderia indicar a presença de motores escondidos, e é avançado o bastante para distinguir entre a tecnologia ilegal e os sistemas eletrônicos comuns usados pelos ciclistas de elite.

A UCI começou a fazer escaneamentos em bikes em janeiro, e já examinou milhares delas, incluindo cada bicicleta usada na competição conhecida como Giro d'Italia. O gerente técnico do grupo, Mark Barfield, espera realizar cerca de 12 mil testes até o final do ano. #Jogos #Rio2016