Uma eleição cujos votos serão apenas 'sim' ou 'não'. Fácil, não é? Não. Não é. O São Paulo #Futebol Clube, no dia 6 de agosto, reunirá seus sócios em uma assembleia para a apreciação de um assunto polêmico. Evento como este não ocorre no tricolor desde 1937.

As alterações realizadas no estatuto do clube, a partir de 2003, estão sendo contestadas na Justiça pelo conselheiro Franscisco de Assis Vasconcellos. Em razão disso, se a eleição são-paulina der vitória ao 'sim', todas as mudanças feitas a partir do último estatuto serão validadas. Desta forma, não haverá razões para contestações contra o documento, já que o mesmo se tornará legal diante da Justiça com a concordância da maioria, e a ação movida por Vasconcellos poderá ser arquivada.

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Porém, em caso de vitória do 'sim', o clube terá de realizar nova eleição, em um prazo de 120 dias, para a votação de um novo estatuto elaborado com opiniões de todos os seus associados, além dos conselheiros. A última vez que um sócio são-paulino teve direito a opinar e votar em um pleito estatutário foi há 79 anos. 

Caso vença o 'não', o processo judicial do conselheiro Francisco de Assis contra o São Paulo permanecerá em trâmite até seu julgamento pelo Superior Tribunal Federal (STF).

Com a ação proposta contra o clube paulista, Vasconcellos pretende cancelar todas as medidas administrativas e também políticas desde que foram colocadas em vigor, a partir de 2004. A petição do conselheiro alega que os sócios não foram consultados acerca de tais medidas, ferindo artigo previsto no Código Civil. 

Dentre as contestações feitas por Francisco de Assis está a decisão dos conselheiros são-paulinos de reelegerem Juvenal Juvêncio para um terceiro mandato frente à presidência da entidade.

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Até aqui, a ação movida pelo conselheiro tem vencido todas as esferas judiciais. Agora, resta apenas o veredicto final, que será dado pelo STF.

A importância do voto 'sim', diz o departamento jurídico do São Paulo, vem de encontro à possibilidade de o clube criar, desta vez de forma democrática, um novo estatuto, além de colocar por terra os prejuízos judiciais que uma decisão tomada pelo STF, em Brasília, poderá causar à instituição.

Mas a oposição quer que o processo permaneça em seu curso normal para chegar ao julgamento pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, pois afirmam que Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, atual presidente tricolor, deve ter seu mandato anulado em razão de ter sido eleito justamente graças às irregularidades apontadas na ação em curso. Além disso, os opositores dizem que dizer 'sim' é concordar com o regime ditatorial imposto pelas gestões anteriores, e também a atual, e que vai contra os direitos garantidos pelo Código Civil aos associados do clube.

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TORCEDOR ADVERSÁRIO NA PRESIDÊNCIA DO SÃO PAULO

Se o 'não' vencer, Leco poderá ser deposto do cargo de presidente do São Paulo Futebol Clube e um novo mandatário será designado pelo Poder Judiciário para gerir o clube durante o processo de intervenção até que novas eleições aconteçam. Este interventor não pode estar ligado à instituição esportiva e também não existe a obrigatoriedade de que o mesmo seja torcedor são-paulino, ou seja, pode ser um palmeirense, corintiano, flamenguista ou até mesmo alguém neutro, que não torça para time algum.

Outra baixa poderá ocorrer no Conselho Deliberativo do clube. Atualmente com 240 conselheiros, em caso de vitória do 'não' e cancelamento do estatuto vigente, o número cairá para 107 excluindo, inclusive, o mandato de Marcelo Abranches Pupo Barboza, presidente do Conselho, o órgão mais importante em um clube como o São Paulo.

Expulsos após ser denunciados por agressões e desvios por corrupção no São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro e Carlos Miguel Aidar podem voltar a ser conselheiros em caso de vitória do 'não', voltando-se ao cenário político de 2004. #São Paulo FC #PaixãoPorFutebol