O sonho de participar das olimpíadas pode custar caro. Os atletas vivem em um intenso sistema de treinos e afastados da rotina normal de outros jovens. Nada de baladas, bebidas alcoólicas ou noites em claro. Mas para alguns, o preço a se pagar é mais caro do que para outros. É o caso da seleção paraolímpica de tênis de mesa. Os praticantes do esporte que querem participar da Rio 2016 eram extorquidos pelos coordenador técnico da seleção, José Ricardo Rizzone de Sousa Vale. De acordo com a ESPN, Rizzone, que também é o técnico da equipe, obrigava os atletas a lhe pagarem entre 10% e 13% de suas bolsas. Cada atleta recebe de R$ 3,5 mil a R$ 15 mil por mês da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, por meio de um convênio com o Ministério do Esporte.

Publicidade
Publicidade

Quem não pagava era cortado da equipe e via seu sonho olímpico, tão próximo de ser realizado, ser destruído.

José Ricardo já foi afastado da seleção, por determinação judicial. Ele foi indiciado por crime de concussão (crime cometido por funcionário público em que este exige vantagem indevida se aproveitando de sua função). Pelo menos sete atletas pagaram ao coordenador os valores exigidos. A polícia civil do Rio de Janeiro já identificou ao menos um atleta que foi cortado da equipe por não te se submetido ao esquema. O agora ex-coordenador não foi preso, mas está proibido de frequentar os centros de treinamento da equipe ou de se aproximar de qualquer atleta. Se for considerado culpado pela justiça, José Ricardo Rizzone pode ser condenado a até oito anos de prisão.

Rizzone foi atleta de tênis de mesa e era técnico da seleção há 13 anos.

Publicidade

Ele começou a extorquir os atletas há cerca de dois anos, se aproveitando do sonho dos jovens de disputarem uma olimpíada em seu próprio país. O esquema foi descoberto quando um dos atletas não aceitou a extorsão e gravou um áudio de uma reunião entre o coordenador e a equipe, em 2013. No áudio José Ricardo Rizzone de Sousa Vale tentava explicar os motivos de estar exigindo as contribuições. A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa disse que não tinha conhecimento do esquema. #Rio2016