Arthur Nory, Arthur Zanetti, Felipe Wu, Mayra Aguiar, Rafael Silva, Rafaela Silva, Robson Conceição, Thiago Braz... Essa poderia ser apenas uma lista com o nome de medalhistas brasileiros na #rio 2016, mas, além da nacionalidade e da medalha no peito, esses atletas têm algo mais em comum: são militares. Juntos eles dominam o quadro de medalhas brasileiro, com 10 das 13 conquistadas até o momento, mas são apenas 30% dos competidores do Time Brasil (145 dos 465 atletas brasileiros são das Forças Armadas).

Programa Atletas de Alto Rendimento

A razão para haver tantos atletas militares na delegação verde-e-amarela é o incentivo das Forças Armadas, em uma parceria entre os Ministérios da Defesa e do Esporte, pelo Programa Atletas de Alto Rendimento.

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Por meio do projeto, iniciado em 2008, o atleta se alista voluntariamente nas Forças Armadas e participa de um processo de seleção que tem como parâmetros de avaliação o desempenho do esportista em competições realizadas no Brasil e no exterior. Caso aprovado, ele passa a obter todos os benefícios militares, indo desde o salário fixo por mês, que gira em torno R$ 3.200,00, até assistência médica. Em contrapartida, o atleta militar também participa de eventos e competições exclusivos das Forças Armadas, como os Jogos Mundiais Militares (na última edição, em 2015, o Brasil terminou em 2º lugar, com 84 medalhas conquistadas). Atualmente, incluindo os atletas olímpicos da Rio 2016, o Programa Atletas de Alto Rendimento apoia 670 esportistas, com um investimento que deve girar em torno de R$ 43 milhões este ano.

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Continência

Apesar de o programa estar em vigor há algum tempo, sua presença só ganhou mais destaque pela reverência feita por alguns dos atletas medalhistas no pódio das #Olimpíadas. O gesto de prestar continência já havia se repetido algumas vezes no ano passado durante os Jogos Pan-Americanos em Toronto, no Canadá, e na ocasião houve instrução das Forças Armadas para que os atletas o fizessem caso subissem ao pódio. O fato gerou polêmica, já que poderia ser considerado como propaganda ou manifestação política, algo proibido segundo as normas do Comitê Olímpico Internacional.

Dessa vez, o temor de que houvesse alguma punição chegou a ser apontado como motivo para que alguns dos atletas militares, a exemplo das judocas Rafaela Silva e Mayra Aguiar, não prestassem continência durante a sua passagem pelo pódio olímpico. Mayra chegou inclusive a dizer que foi instruída pela Confederação Brasileira de Judô a não prestar a reverência durante a entrega de medalhas na Rio 2016 – nos Jogos Pan-Americanos ela havia feito o gesto.

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Por outro lado, todos os demais atletas medalhistas que compõem as Forças Armadas prestaram continência durante a cerimônia de premiação sem qualquer penalidade. O gesto, segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, é uma representação de respeito à bandeira brasileira e ao hino, símbolo da pátria que os atletas representam.

Atletas “prontos”

O ginasta Arthur Zanetti, prata nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e ouro em Londres 2012, foi um dos atletas que fizeram questão de exibir a sua ligação às Forças Armadas no pódio. Durante a cerimônia de entrega das medalhas, Zanetti repetiu o gesto de outros atletas beneficiados pelo Programa Atletas de Alto Rendimento e prestou continência à bandeira brasileira. Apesar de o atleta considerar que o apoio das Forças Armadas é essencial para sua carreira, o técnico do ginasta, Marcos Goto, criticou o incentivo afirmando que os militares apenas contratam os atletas prontos, sem realizar um trabalho efetivo para a formação de novos esportistas. No entanto, ao saber que as Forças Armadas também desempenham atividades formativas, atingindo cerca de 20 mil crianças em mais de 80 cidades com o programa Forças do Esporte, Goto voltou atrás em sua crítica. Desenvolvido conjuntamente com os Ministérios do Desenvolvimento Social e do Esporte, o projeto tem custo anual de R$ 25 milhões destinados a alimentação e equipamentos.