Nada como um dia após o outro. As feridas abertas em Pequim em 2008 e Londres em 2012 ainda estavam bem vivas no ginasta #Diego Hypolito, que, como poucos conseguiriam, soube fazer delas um combustível a mais para brilhar no Rio de Janeiro em 2016. Com uma exibição impecável no solo, cravando praticamente todos os seus movimentos, o brasileiro deu a volta por cima e conquistou medalha de prata para o Brasil, neste domingo, 14.

Max Whitlock, britânico, ao atingir a marca de 15,633, foi o único a impedir que o sonho de Diego Hypolito viesse em dourado. O europeu fez uma exibição perfeita e faturou o ouro em uma prova que teve outro brasileiro em destaque.

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Arthur Nory fez bonito no tablado, empolgou o público presente e fechou com nota 15,433, suficiente para lhe dar o bronze - Diego, em segundo, ficou na casa dos 15,533.

Antes da prata, as quedas

Diego, aliás, sofreu com um percurso mais do que acidentado até poder chegar aos Jogos do Rio de Janeiro em 2016. Na condição de favorito há oito anos, nas Olimpíadas de Pequim, tudo ia bem até a grande final do solo. Na hora de brilhar e sentir o ouro tocar o peito, o brasileiro vacilou no seu último movimento e caiu com o quadril no chão, o que justificou o sexto lugar.

Em Londres, quatro anos após a decepção em solo asiático, Diego Hypolito viveu outra frustração que provavelmente representaria o final da carreira se fosse um outro atleta. Ainda na fase classificatória do solo nas Olimpíadas na Inglaterra, ele teve um desempenho desastrado, errou muito e chegou a bater com o rosto no chão.

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Seria simples para ele desistir e tirar das costas uma pressão que só aumentava. Mas, aos 30 anos, em casa, Diego tentou de novo. E, dessa vez, brilhou.

"Essa foi a terceira vez que eu pude disputar uma Olimpíada. Na minha primeira chance, em Pequim, eu cheguei lá com possibilidades de subir no pódio e acabei caindo de bunda. Quatro anos depois, em Londres, eu caí de cara no solo. Mas agora eu caí de pé. Sem ser favorito como antes, eu lutei e consegui conquistar essa medalha. Na graça de Deus ainda vou para Tóquio, essa não será a minha última", revelou Diego Hypolito, bastante emocionado, logo após vencer a medalha de prata neste domingo.

Medos e incertezas

O renascimento de Diego também é interno. Há pouco tempo, ele não era titular da seleção brasileira olímpica e corria risco de ficar fora dos Jogos do #rio 2016. Recuperou o status e a confiança para brilhar e cravar 15,533 na avaliação sempre rígidas dos jurados. O vacilo do japonês Kenzo Shirai, campeão mundial da modalidade, que errou em movimentos importantes e teve nota abaixo da média, também ajudou Diego Hypolito e Arthur Nory na briga pelo pódio.

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"Não sabia se ia dar. Até pouco tempo eu não estava como titular da seleção. Aqui no Rio me classifiquei e fiquei em quarto no primeiro dia, algo que já me deixou muito contente e foi como um sonho. Hoje quando terminei a prova achei que daria, na melhor das hipóteses, um quarto ou quinto lugar", admite Diego.

Errado estava ele, que mal sabia que sua apresentação só seria batida por um concorrente. Quem sabe, no Japão, ninguém consiga superar o renascido Diego Hypolito. Faltam apenas quatro anos. #Ginastica