Faltou um sorriso no pódio. A entrega das medalhas para os vencedores da maratona nos Jogos Olímpicos Rio 2016, ficou marcada pela expressão de Feyisa Lilesa, que conquistou a medalha de prata. A premiação da prova que deu origem às #Olimpíadas na cerimônia de encerramento, simboliza a coroação do esforço de todos os atletas, em especial àqueles que correram 42,195 quilômetros de distância.

Contrastando com a alegria estampada no rosto do vencedor do ouro, o queniano Eliud Kipchoge, e do norte-americano Galen Rupp, bronze, Lilesa demonstrava tensão. Não sem motivo.

Um gesto, uma sentença

Ao cruzar a linha de chegada, Feyisa Lilesa protestou.

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Com os braços cruzados sobre a testa, mandou um recado a seu povo e, com ele, pode ter recebido uma sentença de morte.

Embora a situação econômica da Etiópia tenha melhorado significativamente, os direitos civis não são respeitados. De acordo com o "Movimento Solidariedade por uma Nova Etiópia", a sociedade não é livre e não há uma democracia verdadeira. Para os representantes do "Movimento", todo o investimento atende aos interesses dos partidários do atual regime.

Lilesa pertence ao povo de Oromo, que protesta contra o governo e vem sendo perseguido. O "Human Rights" estima que mais de 400 pessoas já foram mortas deste que começaram as manifestações. O gesto do maratonista teve a intenção mostrar apoio aos protestos. Segundo ele, o governo está matando seu povo, tomando suas terras e tirando seus recursos.

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Parentes e amigos de Lilesa estão presos e proibidos de falar.

Um vencedor no exílio

Consciente do que seu gesto provocou, Lilesa não sabe se voltará para casa: "Se voltar, talvez eles me matem, se não me matarem, vão me colocar na prisão".

O atleta declarou que vai conversar com a família para tomar uma decisão e talvez peça exílio em outro país.

O Comitê Olímpico Internacional, que não permite protestos políticos durante os Jogos, ainda não se manifestou. Mas para Feyisa Lilesa, seu gesto foi mais importante: "Tenho um grande problema em meu país", concluiu.

 

 

  #Manifestação #Rio2016