Na noite desse domingo, 21, os três maratonistas vencedores das #Olimpíadas do Rio, Eliud, Feyisa e Galen, subiram ao pódio no Maracanã e receberam suas medalhas diante de mais de 3 bilhões de telespectadores em todo o mundo. Entretanto, um dos atletas não estava totalmente tranquilo com a sua premiação merecida.

O etíope #Feyisa Lilesa, que recebeu a medalha de prata, teme pela própria vida. O atleta protestou contra o governo do seu país assim que cruzou a linha de chegada. Com os braços em formato de ‘xis’, Feyisa manifestou seu apoio as manifestações que acorrem na Etiópia desde 2015, e que ganharam força no último mês após mais de cem pessoas serem mortas ao protestarem contra o atual governo.

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Além disso, o maratonista fez duras críticas ao governante etíope, Teshome, o acusando de assassinar pessoas que são dissidentes de etnias diferentes na Etiópia. O país é dividido por etnias e grupos, o que gera constantes conflitos entre os segregados.

Feyisa disse para a imprensa, durante entrevista coletiva, que o povo Oroma, do qual faz parte e que corresponde a cerca de 50 milhões de pessoas, foram retirados de suas casas e hoje estão sendo mortos por lutarem pela democracia. “Se os Oroma falam sobre democracia, o governo manda matá-los”. Segundo ele, mais de mil cidadãos Oroma foram mortos nesse ano.

Ele ainda fez um apelo aos Estados Unidos, França, Inglaterra e todos países da Europa, que segundo ele, apoiam o governo da Etiópia e permitem que ele adquira armas para matar as pessoas.

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Feyisa questionou: “Por que não ajudam nosso povo?”

Apesar de ter sido muito aplaudido e elogiado pela coragem, o atleta tem medo de voltar para o país e também teme pela integridade de sua esposa e filhos, pois sua atitude foi uma afronta ao governo local. O atleta ficou de conversar com seus familiares e juntos devem combinar de ir para outro país, pois sabe que se voltar será preso ou morto.

Apesar do Comitê Olímpico Internacional vetar discursos políticos, em virtude de ser o último dia das competições e da situação de instabilidade que a Etiópia vive, a situação foi ignorada e o próprio presidente do COI, Thomas Bach, entregou a medalha de prata para o maratonista. #Jogos Olímpicos Rio 2016