Se os atletas brasileiros até o momento ainda não conseguiram o devido destaque com a conquista de medalhas, a exceção de Felipe Wu com a prata no Tiro Esportivo e Rafaela Silva com o ouro no Judô, a torcida brasileira pode ser considerada a grande atração do Brasil dentro das arenas olímpicas. Bastante participativos, os torcedores têm gerado polêmica pela reação mais entusiasmada que, em algumas modalidades, é vista como falta de respeito, sobretudo quando resulta em vaias contra os adversários.

Hope Solo

O primeiro caso de destaque envolvendo a torcida brasileira ocorreu logo no primeiro dia de competições, antes mesmo da cerimônia de abertura, envolvendo a goleira norte-americana Hope Solo.

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Dias antes de vir ao Brasil, a atleta ironizou em suas redes sociais mostrando como se prepararia contra a Zika ao chegar ao País. O assunto não repercutiu bem e Solo acabou virando o alvo preferido da torcida durante as partidas dos Estados Unidos no torneio de futebol feminino. Sempre que toca na bola, além de vaias, a futebolista é recebida com um “Oooo zika!” dos torcedores. Questionada sobre a situação, a norte-americana procurou minimizar o fato e disse não ouvir por estar concentrada durante os jogos.

Hugo Calderano

Além de pegar no pé dos atletas estrangeiros, a arquibancada brasileira tem se destacado por impulsionar os atletas nacionais. Um exemplo bem marcante desse quadro ocorreu no torneio de Tênis de Mesa, quando o jovem atleta brasileiro Hugo Calderano se viu envolvido e empurrado por uma torcida bastante apaixonada e barulhenta, cenário atípico para a modalidade.

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Quem acompanhou as partidas do mesatenista pôde perceber como o incentivo dos torcedores ajudou, com a vibração em cada ponto conquistado pelo atleta. Um dos adversários, o atleta de Hong Kong, Tang Peng, chegou a reclamar do barulho da torcida para a arbitragem. Em vão: a pressão da torcida aumentou ainda mais para ele, que acabou perdendo para o brasileiro. O incentivo, apesar de ter ajudado o atleta a alcançar o feito de Hugo Hoyama, que chegou entre os 16 melhores do mundo nos Jogos de Atlanta, em 1996, não foi o bastante para que Calderano avançasse mais na competição.

Espírito Olímpico

Para muitos, o comportamento dos torcedores não tem sido visto como uma saudável e característica manifestação brasileira, mas sim um grande desrespeito com o espírito olímpico. Em um dos textos publicados na imprensa internacional, a agência de notícias Reuters aludiu o comportamento da torcida nas diversas modalidades olímpicas às reações das arquibancadas durante os jogos de futebol. Para a agência, esse comportamento seria resultado da herança brasileira de um passado glorioso no futebol, que se converteria numa atitude nacionalista mais exacerbada, e também do perfil da torcida presente nas arenas, basicamente composta de pessoas da classe média alta e rica do Brasil.

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A reação mais criticada dos torcedores brasileiros é, sem dúvida, a vaia aos adversários dos atletas locais. Para muitos, a demonstração de desafeto com os oponentes foge totalmente ao espírito que se espera de um evento olímpico, gerando descontentamento em diversos atletas que têm enfrentado os brasileiros. Em contrapartida, não são só os estrangeiros que sofrem, como se evidenciou com a seleção brasileira de futebol masculino, bastante vaiada pela má atuação nas duas primeiras partidas nas #Olimpíadas

O outro lado desse cenário desconfortável é a demonstração de afeto com alguns atletas de fora. Um dos exemplos mais marcantes foi identificado no torneio de tênis com o atual número um do mundo, Novak Djokovic. Eliminado logo na primeira rodada do torneio masculino individual, o tenista fez questão de elogiar a atmosfera da arquibancada brasileira e lamentou não ter conseguido retribuir dentro de quadra o calor humano da torcida na #Rio2016