Paulo César #Tinga dificilmente vai conseguir esquecer o dia 12 de fevereiro de 2014, quando a torcida peruana do modesto Real Garcilaso espalhou pelo Estádio Huancayo a mancha do preconceito, da discriminação e da intolerância. Ainda atuando profissionalmente, Tinga defendia o Cruzeiro pela primeira fase da Libertadores naquela noite.

Em campo, o Cruzeiro até perdeu o jogo por 2x1 e não trouxe pontos para o Brasil. Mas a grande derrotada da fria noite peruana foi a humanidade, acossada por insultos racistas a um jogador negro que foi tratado diferente dos demais. Tinga entrou no segundo tempo no lugar de Ricardo Goulart e bastava pegar na bola para ouvir os sons de macaco vindo da torcida local.

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Após o triste acontecimento, Tinga ganhou muito apoio dos seus companheiros e se tornou uma espécie de símbolo contra o racismo dentro do esporte brasileiro. A Conmebol, por sua vez, não cumpriu na íntegra o seu dever de Federação de Futebol do continente e deu uma multa “simbólica” de 12 mil dólares ao Real Garcilaso, time dos torcedores que proferiram atos racistas.

Ainda no gramado do estádio peruano após o fim da fatídica partida, Tinga resumiu o seu sentimento e, mesmo no seu estilo comedido que sempre pautou sua carreira, desabafou aos jornalistas que o entrevistaram:

“Eu não queria ter ganho todos os títulos que ganhei jogando futebol na minha carreira e queria ganhar o título contra o preconceito. Trocaria por ter um mundo com igualdade entre todos”, disse, na ocasião.

Dois anos depois e já com a carreira encerrada como jogador, Tinga teve o privilégio de ver uma negra de infância pobre em uma favela do Rio de Janeiro brilhar nos Jogos Olímpicos.

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Depois de ser chamada de “macaca” nas redes sociais por não ter ido bem em Londres, em 2012, a judoca Rafaela Silva ganhou ouro na prova até 57 kg e orgulhou o povo brasileiro. Brancos e negros comemoraram a primeira medalha do Brasil nas Olimpíadas em casa, uma medalha que não tem cor. #entrevista #Rio2016